“No ano em que completa 50 anos de produção na capital amazonense, fabricante registra crescimento de 10% e mantém investimento de R$ 1,6 bilhão até 2029. Marco reconhece uma trajetória construída por gerações de trabalhadores e reforça a importância do Amazonas para a indústria brasileira“
Há cinquenta anos, uma motocicleta fabricada na indústria em Manaus começava a aproximar a indústria amazonense do cotidiano dos brasileiros. A CG 125, primeiro modelo produzido pela Honda no país, chegava a um mercado que se transformaria profundamente nas décadas seguintes. Em 2026, essa trajetória alcança 33 milhões de motocicletas, uma marca que reúne a história de uma empresa, o trabalho de gerações e a consolidação de uma base industrial na Amazônia.
O anúncio ocorre no ano em que a fábrica de Manaus celebra cinco décadas de atividade. Responsável por toda a produção nacional de motocicletas Honda, a unidade chega ao cinquentenário em expansão. Segundo os dados divulgados pela companhia, entre janeiro e agosto de 2026 foram produzidas mais de 1,12 milhão de unidades, volume 10% superior ao registrado no mesmo período de 2025.
A dimensão atual da operação ajuda a compreender o percurso. Cerca de 7 mil motocicletas são produzidas por dia na capital amazonense. O portfólio industrial reúne 20 modelos, com cilindradas de 110 a 1.100 centímetros cúbicos, destinados ao mercado brasileiro e à exportação para mais de 15 países.
Em cada uma dessas motocicletas há uma conexão entre Manaus e outros lugares. A produção realizada na cidade abastece deslocamentos cotidianos, atividades profissionais e viagens, enquanto movimenta serviços, distribuição e manutenção ao longo do caminho até o consumidor. Para o Amazonas, representa a participação continuada numa cadeia econômica que ultrapassa suas fronteiras.
A história começou em 1976, com a CG 125. Ao recuperar a origem do modelo, a Honda destaca sua adaptação às condições brasileiras de uso, incluindo as características das vias e as necessidades de manutenção. A motocicleta produzida na Amazônia ajudaria a estabelecer uma relação duradoura entre a marca e seus consumidores. História da CG 125 — Honda.
Ao longo dessas cinco décadas, o crescimento da operação exigiu aprendizado industrial, formação profissional e aperfeiçoamento de processos. Esse patrimônio de conhecimento merece lugar na leitura dos 33 milhões. Uma fábrica acumula experiência nas decisões de engenharia, no controle de qualidade, na organização da logística e na habilidade de quem acompanha cada etapa da produção.
É também a esses trabalhadores que a companhia atribui a conquista. Lourival Barros, responsável pelas áreas de Produção, Qualidade e Logística da Moto Honda, relaciona o resultado à dedicação das equipes, à continuidade dos investimentos e à confiança dos clientes.
“A marca de 33 milhões de motocicletas produzidas representa a dedicação dos nossos colaboradores, os investimentos contínuos na operação e, principalmente, a confiança dos clientes ao longo de cinco décadas”, afirma o executivo, no comunicado da empresa.
A Honda apresenta sua fábrica de Manaus como a unidade mais verticalizada do grupo no mundo. A característica indica a concentração de diferentes etapas produtivas dentro da própria operação e ajuda a dimensionar a complexidade industrial instalada na cidade. Para o debate sobre o desenvolvimento amazônico, é um dado relevante, pois evidencia a capacidade regional de incorporar processos, tecnologia e competências de fabricação.
O próximo ciclo já tem investimentos anunciados. A Moto Honda prevê aplicar R$ 1,6 bilhão até 2029 na modernização da operação e na ampliação da capacidade produtiva, com o objetivo de alcançar uma produção anual de 1,6 milhão de motocicletas. A meta se refere ao horizonte de expansão informado pela companhia e não deve ser confundida com um resultado já obtido.
A presença comercial acompanha essa estrutura. Segundo a Honda, sua rede reúne cerca de 1.200 pontos de venda no país, atendendo diferentes perfis de consumidores e necessidades de mobilidade. A escala da distribuição dá alcance nacional à produção que sai de Manaus.
Para a Zona Franca, a trajetória oferece um caso concreto de permanência industrial. Investimentos que atravessam décadas permitem formar equipes, desenvolver fornecedores e aperfeiçoar capacidades que dependem de tempo e continuidade. O anúncio de novos recursos amplia essa perspectiva e coloca em pauta as condições necessárias para sustentar a atividade, da infraestrutura logística à qualificação profissional.
Na Amazônia, essa discussão também passa pela construção de uma economia capaz de gerar renda e oportunidades a partir do trabalho qualificado e da tecnologia. A experiência industrial de Manaus oferece uma base para esse caminho, cuja continuidade exige inovação, responsabilidade ambiental e maior circulação dos benefícios econômicos pela região.
O cinquentenário encontra, assim, uma fábrica em movimento. Entre a CG 125 de 1976 e os 33 milhões de unidades acumuladas, há uma história de produção que passou a integrar a vida brasileira. Os investimentos previstos até 2029 abrem uma nova etapa dessa relação, com Manaus mantendo o lugar onde ela começou.
Com informações da Moto Honda. Os dados de produção, investimento, portfólio e rede comercial foram fornecidos pela companhia no comunicado sobre os 33 milhões de unidades.