Amazônia, do chão de fábrica ao bioma florestal

Está na hora de abraçar esta jornada – financiada exclusivamente com os recursos de nossas empresas – sem precisar depender das decisões alheias ao nosso quintal. Eis que a cadeia produtiva e do conhecimento se dão as mãos, permitindo que o avanço tecnológico se conecte em todas as direções, do chão de fábrica ao promissor e gerador de oportunidades que é o nosso bioma florestal. Que tal?

Wilson Périco
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Fomos abordados na semana passada pelos parceiros da mídia com relação à “brincadeira judicial com a BR-319”. E sobre quais seriam nossas propostas para contrapor ao proibicionismo reinante considerando inaceitável o cenário de constrangimento de contemplar a floresta exuberante e constatar a pobreza espalhada e crescente em nossa região. Depois de tanta insistência, já podemos desenhar propostas para aplicação da riqueza gerada pelo setor produtivo. Topamos fazê-lo pois ao empreender no universo capitalista apreendendo que cada centavo deve ser usado com racionalidade e efetividade. Caso contrário, condenamos nossa empresa ao fracasso. É muito fácil gastar quando outros se encarregam de gerar os recursos em questão. Desperdício deveria ser enquadrado no crime de responsabilidade social, obrigando os perdulários a devolver ao cidadão – seu patrão – cada real desviando de suas funções e benefícios legais.

Para se opor ao proibicionismo – provavelmente uma desculpa para explicar a omissão federal e a não aplicação de recursos gerados na região para fomentar oportunidades na Amazônia – propomos dicas baseadas naquilo que fazemos bem, ou seja, aplicar com racionalidade e eficiência os recursos aqui gerados pelo Polo Industrial de Manaus. Um exemplo já está em adiantado estado de implantação, através de programas prioritários do CAPDA, O Comitê das Atividades de Pesquisa e Desenvolvimento na Amazônia, que gerencia as verbas de P&D&I, na diversificação das atividades econômicas coerentes com a nossa vocação inovadora e regional.

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Wilson Périco é economista, empresário, presidente do Centro da Indústria do Eestado do Amazonas e coordenador da Convergência Empresarial da Zona Franca de Manaus.

Achamos um jeito imediato de responder ao proibicionismo burocrático a quem devemos convencer que, em lugar de reprimir, é mais sensato e benfazejo estimular a fazer direito. Só assim, estaremos gerando disseminação daquilo que Denis Minev recomenda aos seus jovens empreendedores e suas startups disruptivas: fomentar e implantar novos negócios no universo amazônico. Especialmente no interior da região. O que precisamos é desenhar previamente o que queremos/precisamos, quais são as prioridades, aonde queremos chegar e quais são as métricas e resultados esperados e obrigatoriamente revisados/avaliados para o eventualmente realinhamento.

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foto: Gisele Alfaia

Vamos pensar juntos: atualmente temos cinco programas prioritários para aplicar verbas as verbas que pagamos para diversificar nossa economia: Economia Digital; Recursos Humanos; Bioeconomia; Indústria 4.0; e Empreendedorismo Inovador. A partir de 2020, empresas nascentes de base tecnológica (Startups) que invistam em áreas de desenvolvimento de produto, serviço ou processo inovador, podem receber recursos das empresas. Os programas estão formalmente separados, entretanto, pela realidade, interligados. Pois é assim que o mundo funciona. Indústria 4.0, Bioeconomia e Startups precisam trabalhar em modo interlocução. Ainda bem que a Suframa, pensando a realidade no paradigma interativo e circular, tem dado conhecimento aos demais Estados da Amazônia Ocidental e Amapá, e isso deveria, urgentemente, envolver a representação parlamentar da Amazônia, cuja união em torno dos benefícios potenciais pode assegurar, adensar e disseminar as iniciativas. E de quebra, mobilizar o apoio político em torno da defesa de nossos direitos de executar programas de alto nível do desenvolvimento regional.

Temos notícia de aproximação colaborativa/operacional entre duas instituições extremamente qualificadas para avançar projetos, com um robusto portfólio de realizações, a Fundação Paulo Feitoza, Indústria 4.0 e o IDESAM (Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável e Conservação da Amazônia), Bioeconomia. Está na hora de abraçar esta jornada – financiada exclusivamente com os recursos de nossas empresas – sem precisar depender das decisões alheias ao nosso quintal. Eis que a cadeia produtiva e do conhecimento se dão as mãos, permitindo que o avanço tecnológico se conecte em todas as direções, do chão de fábrica ao promissor e gerador de oportunidades que é o nosso bioma florestal. Que tal?

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