Águas de Manaus recorre para aumentar tarifa, seja de 24,52% ou de 4,52%

Em recurso apresentado nesta segunda-feira (13) no TJAM (Tribunal de Justiça do Amazonas), a concessionária Águas de Manaus pediu para voltar a aplicar o reajuste de 24,52% na tarifa de água e esgoto ou, em caso negativo, que possa aplicar o reajuste conforme o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que subiu 4,52%.

Efetivado no dia 22 de agosto, o reajuste da tarifa desses serviços, com base no IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), foi suspenso pelo desembargador Elci Simões no dia 31 daquele mês. No início de setembro, a concessionária disse que devolveria o excedente aos consumidores que já haviam pago as faturas reajustadas através de crédito na próxima fatura.

No recurso apresentado nesta segunda-feira, a concessionária quer que a Justiça derrube a decisão que suspendeu o reajuste, ou seja, que ela volte a aplicar o aumento de 24,52%. Se não for possível, a empresa pede para aplicar o aumento em 4,52%, que foi a inflação calculada nos dozes meses anteriores a novembro de 2020 conforme o IPCA.

PEDIDO DA AGUAS DE MANAUS
Águas de Manaus apresentou recurso para aplicar reajuste na tarifa de água (Fonte: TJAM)

O reajuste pelo índice menor já havia sido proposto pela própria prefeitura no dia 20 de agosto, quando pediu a suspensão da elevação de 24,52%. Na ocasião, a gestão David Almeida alegou que o reajuste pelo IGP-M (24,5%) não reflete a verdadeira inflação, pois é influenciado pela variação de preços de produtos específicos voltados à exportação.

A briga entre a concessionária e a prefeitura em razão da correção tarifária ocorre desde novembro de 2020. Em novembro do ano passado, na gestão do ex-prefeito Arthur Neto (PSDB), a Águas de Manaus informou a prefeitura que a inflação nos dose meses anteriores havia subido 24,52%, conforme apuração pelo IGP-M.

Citando a declaração do estado de calamidade pública em razão da pandemia de Covid-19, a prefeitura se manifestou contra o aumento. No entanto, em julho deste ano, a concessionária, após tentativas frustradas de negociação, decidiu publicar o reajuste tarifário com validade a partir do dia 22 de agosto.

No fim de julho, a PGM (Procuradoria-Geral do Município) apresentou uma ação para barrar o aumento, mas o pedido foi rejeitado pelo juiz Cezar Luiz Bandiera, da 5ª Vara da Fazenda Pública de Manaus. O magistrado atribuiu a responsabilidade pelo aumento repentino à prefeitura, pois, segundo ele, ela não adotou qualquer medida para solucionar a questão.

A prefeitura apresentou recurso contra a decisão, no dia 20 de setembro, sustentando que o aumento de 24,5% no preço dos serviços é “impróprio” e “excessivamente oneroso aos consumidores”. O executivo municipal citou o “difícil momento” pelo qual o Brasil passa, decorrente pandemia de Covid-19 e as repercussões financeiras dela.

Fonte: Amazonas Atual

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Amazônia em pauta: o medo do desenvolvimento

"Amazônia em pauta: entre a necessidade de infraestrutura e...

A força transformadora da escuta

"Porque nenhuma transformação social começa pela imposição. Toda mudança...

Petrobras investe em petróleo na Amazônia, mas alta será menor que 5% 

Petrobras investe R$ 2,5 bi em petróleo na Amazônia, mas expansão em Urucu reacende debate sobre riscos ambientais e retorno social.

Mudanças climáticas favorecem avanço da resistência a antibióticos, diz estudo

Estudo liga mudanças climáticas ao avanço da resistência a antibióticos e alerta para riscos à saúde pública global.