Acelerar e inovar a Amazônia

Enquanto choramos o leite derramado do confisco de sementes da seringueira, os ingleses, holandeses e japoneses… fabricam oportunidades com pesquisa e inovação. Não seria justo, nem decente, estigmatizar a presença estrangeira com danosa à região. Muito pelo contrário. Se há inimigos, os dedos da acusação esbarram em nós mesmos. Os viajantes históricos da Amazônia eram autênticos pesquisadores/empreendedores empenhados em decifrar o mistério amazônico, cantado em verso e prosa pela Europa a partir do século XVI e transformá-lo em oportunidades. Assim temos que aprender a fazer. Convém dizer que a ciência moderna começa a estruturar-se nessa fase, início da libertação do teocentrismo medieval, ensejando o fortalecimento do racionalismo que mais tarde fornecerá a base para a divisão do trabalho e a pesquisa sistemática. Ou seja, a modernidade embrionariamente vai descobrindo a importância da observação, coleta e mensuração dos dados no mundo inteiro para elaborar planos de negócios.

Para nós da Amazônia cabe destacar, entre outras, a viagem de Johann Baptist von Spix (1781-1826) e Carl
Friedrich Philipp von Martius (1794-1868) pelas províncias de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Bahia, Pernambuco,
Piauí, Maranhão e, finalmente, pelo rio Amazonas, entre 1817 e 1820. São preciosos os relatos e as minuciosas observações de fauna e flora, usos e costumes de tribos indígenas, incluindo ainda expressões musicais, enfim, um olhar científico sobre o Brasil do século XIX.

As viagens ao Brasil aconteciam simultaneamente ao desenrolar do crescimento industrial na Europa, sobretudo na Inglaterra, deixando antever a compreensão, já naquele momento, da importância comercial que os insumos tropicais (madeiras,fármacos e especiarias em geral) representavam para aquele movimento de implantação da nova ordem econômica.

Charles Darwin (1809-1882) é considerado como autor do evolucionismo, Sendo ou não, o fato é que a Ciência foi buscar dados em várias partes do mundo para entender a origem das espécies, base de infinitos negócios. E foi este ímpeto que empolgou Alfred Russel Wallace (1823-1913), um naturalista muito conceituado que, dizem alguns historiadores, se antecipou a Darwin e, por razões éticas/religiosas, se recusou a assumir o protagonismo da teoria da evolução. Nas viagens para a Amazônia, se fez acompanhar do também naturalista Henry Walter Bates (1825-1892), com quem coordenou mais de uma expedição à Amazônia, com o intuito de promover “a elucidação da origem das espécies”. Wallace e Bates subiram o no 
Negro e o Waupés, onde encontraram o botânico Richard Spruce (1817-1893), O feito desses viajantes tem um saldo incalculável. No Museu Botânico de Kew, em Londres, estão depositadas mais de 100 mil espécies dessas expedições amazônicas, com valiosas informações científicas para a importância da tradição daquele herbário na produção de medicamentos e cosméticos, além estudo sobre as seringueiras, chamando a atenção para suas riquezas. A evolução das espécies – que o projeto Genoma avançou – guarda o segredo da vida, sua perpetuação e cura, o sonho maior da humanidade e dos negócios. A conexão de negócios entre o Velho e Novo Mundo revelou-se promissora já a partir dos séculos XVIII e XIX. Há que citar ainda o barão Alexander von Humboldt (1769-1859), Charles Marie dela Condamine (1701-1774), que atribuiu aos índios da Amazônia a invenção de um dos negócios mais rentáveis da História, o futebol. Louis Agassiz (1807-1873) que nos anos de 1865 e 1866 empreendeu com sua esposa Elizabeth Agassiz (1822-1907) uma viagem pela Amazônia, narrada em seu livroViagem pelo Brasil onde nossa região é descrita como terra de possibilidades e negócios. Merece destaque ainda a Vagem filosófica pelas capitanias do Grão-Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuiabá, de Alexandre Rodrigues Ferreira (1756-1815), que “fotografou” na arte de seus riscadores a estética e a plástica das riquezas amazônicas. O book da prosperidade. A vinculação dessas expedições e suas descobertas à economia mundial nascente, a partir das revoluções Francesa e Industrial, não tardam a aparecer. A interveniência da pesquisa científica, da inovação como premissa da geração de riqueza, vão determinar a diferença entre desenvolvidos e emergentes e explicar porque – apesar das promessas amazônicas, o Brasil insiste em não sair da mesmice de sua letargia biotecnológica. A hora é de promover a aceleração de negócios, empinar startups, incendiar a rapaziada, com suporte de recursos e a obviedade sedutora da inovação, transformação, revolução…

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal Brasil Amazônia Agora

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