Quando a seleção parece o país

Em campo, continuam surgindo jogadores extraordinários. Talento nunca nos faltou. Drible, criatividade, improviso, coragem para decidir partidas. Poucos países produzem tantos atletas capazes de desequilibrar um jogo em um único lance.

As contusões se multiplicam. Nem todas são musculares. Algumas são institucionais. Outras nascem da ansiedade de vencer antes de aprender a construir a vitória.

Há dispersão. Há vaidades. Há agendas particulares ocupando o espaço que deveria pertencer ao projeto coletivo.

A camisa continua sendo a mesma. O sentimento nacional também. O que se tornou mais raro foi encontrar uma equipe capaz de jogar por algo maior do que cada um de seus integrantes.

O Brasil possui recursos naturais extraordinários, uma população criativa, capacidade empreendedora admirável e uma diversidade cultural que nenhum planejamento conseguiria fabricar.

seleção

Os países que avançaram de forma consistente descobriram algo aparentemente simples: educação forma equipes antes mesmo de formar profissionais.

Ela ensina disciplina sem sufocar a criatividade. Ensina cooperação sem eliminar o protagonismo. Ensina que ninguém levanta uma taça sozinho.

Da mesma forma, uma sociedade distribui melhor os frutos do trabalho quando compreende que prosperidade não é privilégio de poucos, mas resultado de instituições confiáveis, oportunidades bem repartidas e compromisso permanente com o bem comum.

No futebol e na vida nacional, existe outra ilusão perigosa.

Entretanto, quase todas as grandes conquistas nasceram de processos longos, silenciosos e, muitas vezes, pouco espetaculares. A vitória costuma aparecer como consequência da caminhada. Não como sua substituta.

Cada geração bem educada prepara a seguinte. O Cada instituição fortalecida reduz a dependência dos heróis de ocasião. É por isso que talvez o maior desafio brasileiro não seja encontrar novos craques.

Antonio Machado escreveu que “o caminho se faz ao caminhar”. A frase permanece atual porque dispensa mapas definitivos. Nenhuma sociedade recebe um roteiro pronto. Os caminhos são abertos pelas escolhas repetidas todos os dias.

Sabemos da importância da educação. Sabemos da necessidade de reduzir desigualdades. Sabemos que inovação, ciência, responsabilidade fiscal, ética pública e sustentabilidade não competem entre si. Jogam na mesma equipe.

Talvez nos falte apenas aquilo que todo grande time precisa demonstrar durante noventa minutos: foco, determinação, disciplina e compromisso.

Porque, no fim, tanto no futebol quanto na construção de um país, vencer é menos um instante de celebração do que a consequência natural de quem nunca deixou de caminhar.

Belmiro Vianez Filho
Belmiro Vianez Filho
Empresário do comércio, ex-presidente da ACA e colunista do portal BrasilAmazôniaAgora e Jornal do Commercio.

Artigos Relacionados

Setor produtivo apresenta a Lula e Flávio uma agenda de compromissos com o Amazonas

Cartas de oito entidades cobram preservação da Zona Franca, segurança para investir, infraestrutura e oportunidades no interior, com manifestação expressa dos candidatos e plano de encaminhamento nos primeiros cem dias de governo

Flávio Bolsonaro apoiou ao menos 17 iniciativas contra proteção ambiental, aponta levantamento

Flávio Bolsonaro propôs ou apoiou ao menos 17 iniciativas contra a proteção ambiental desde 2019, aponta levantamento do Observatório do Clima.

Entre a sakura e o pau-d’arco, uma história de acolhimento

"Nos 50 anos da Honda em Manaus, a contratação...