“As escolhas de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro exigem explicações que o eleitor tem o direito de conhecer antes de votar. É nesse contexto que ganha peso o alerta do Estadão, no editorial “Flávio e a sombra dos milicianos”: sua candidatura embute o “risco da ascensão das milícias ao topo do poder” da República. A gravidade dessa advertência exige uma resposta pública do candidato“
O noticiário policial dos últimos dias põe em discussão as alianças do candidato à presidência da República, Flavio Bolsonaro, no Rio de Janeiro e dá novo contexto ao alerta da imprensa sobre o risco de ascensão das milícias ao poder.
“Diga-me com quem andas e te direi quem és.” O provérbio popular oferece um ponto de partida para examinar as alianças de quem pretende governar o Brasil. Escolher parceiros, apoiar candidaturas e repartir espaços de influência são decisões que ajudam o eleitor a conhecer um projeto de poder.
O Estadão trouxe essa preocupação ao debate no editorial “Flávio e a sombra dos milicianos”, publicado em 23 de setembro. O jornal advertiu para o risco de ascensão das milícias ao topo do poder da República associado à candidatura de Flávio Bolsonaro. A análise do ICL, Instituto Conhecimento Liberta, apresentada nesta matéria acrescenta uma pergunta concreta à discussão: por que Márcio Canella ocupou posição tão importante na aliança eleitoral do candidato no Rio de Janeiro?
Uma escolha política com consequências
Ex-prefeito de Belford Roxo e dirigente do União Brasil no estado, Canella chegou a ser apresentado como pré-candidato ao Senado com apoio de Flávio. A composição previa Rogéria Bolsonaro, mãe do presidenciável, como primeira suplente. Tratava-se de uma aliança formal, com participação direta da família do candidato. (noticias.uol.com.br)
A candidatura ao Senado foi abandonada depois da prisão de Canella, em julho, quando agentes encontraram um fuzil de uso restrito em seu carro. Ele disputou uma cadeira na Assembleia Legislativa e terminou como o segundo deputado estadual mais votado do Rio. Canella negou ser o proprietário da arma. (noticias.uol.com.br)
No trecho do debate enviado ao BAA, os comentaristas do ICL questionam a persistência dessa proximidade. Relatam, ainda, que Canella continuava sendo considerado pelo grupo político para presidir a Assembleia Legislativa. Essa avaliação amplia a discussão sobre os critérios adotados para distribuir poder e manter alianças mesmo diante de investigações graves.
O alcance da investigação
Em 15 de outubro, Canella voltou a ser preso, desta vez na oitava fase da Operação Unha e Carne. Também foi preso Marcus Amim, ex-chefe da Polícia Civil do Rio. A investigação apura uma organização suspeita de utilizar postos de combustíveis para lavagem de dinheiro. (tmc.com.br)
Segundo informações publicadas pelo UOL, a movimentação sob investigação supera R$ 7,6 bilhões em seis anos. A PF pediu o bloqueio desse montante, mas a decisão judicial limitou a medida a até R$ 700 milhões. Esses valores têm significados diferentes e precisam ser apresentados com precisão. (noticias.uol.com.br)
A defesa de Canella afirmou confiar no esclarecimento dos fatos. O advogado de Amim informou que aguardava acesso à decisão para se manifestar. As prisões e as suspeitas estão sujeitas à apuração e ao julgamento; tampouco demonstram, por si, participação de Flávio nos crimes investigados. (www1.folha.uol.com.br)
A responsabilidade política pelas alianças, porém, pode ser cobrada desde já. Por que Canella foi escolhido para disputar o Senado? Que compromissos sustentaram essa composição? Como o candidato à Presidência avalia hoje o apoio que lhe ofereceu?
O debate frequente do ICL ajuda a recolocar essas perguntas diante do eleitor. Segurança pública, funcionamento das instituições e uso do dinheiro público estão entre as questões centrais do país. Examinar quem recebe apoio para exercer o poder faz parte dessa discussão, sobretudo quando a campanha promete enfrentar o crime organizado.