Nova enzima sustentável na indústria de papel promete corte de poluentes

Desenvolvida por cientistas brasileiras, tecnologia com fungos transforma resíduos agrícolas em enzima sustentável na indústria de papel, reduzindo poluentes e ampliando eficiência produtiva.

Pesquisadoras da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) desenvolveram uma tecnologia que pode reduzir o uso de substâncias químicas tóxicas na indústria de papel e celulose. 

A solução utiliza uma enzima produzida por fungos cultivados em resíduos agrícolas, oferecendo uma alternativa mais limpa para o processo de branqueamento da polpa celulósica. O avanço de uma enzima sustentável na indústria de papel tem potencial de aplicação em escala industrial.

Tradicionalmente, essa etapa industrial depende de compostos à base de cloro, como o dióxido de cloro, conhecidos pelo potencial poluente. Esses reagentes podem contaminar efluentes líquidos e liberar gases prejudiciais ao meio ambiente e à saúde humana. 

A nova abordagem propõe substituir parte desses insumos por uma enzima chamada xilanase, capaz de atuar na remoção de componentes da madeira durante o processamento. O uso dessa enzima sustentável na indústria de papel surge como alternativa para reduzir a carga química e os impactos ambientais do setor.

A xilanase é produzida a partir do fungo Aspergillus caespitosus, cultivado em resíduos de baixo custo, como bagaço de cana-de-açúcar e farelo de trigo, que atuam como substrato em fermentação em estado sólido. Além de reduzir custos, a estratégia valoriza subprodutos agrícolas e se alinha à bioeconomia circular. A escolha do material varia conforme a região: o bagaço é mais viável em áreas sucroalcooleiras, mesmo com pré-tratamento, enquanto o farelo de trigo pode ser utilizado diretamente em regiões produtoras.

Bagaço de cana-de-açúcar utilizado como matéria-prima para produzir enzima sustentável na indústria de papel.
Resíduo agrícola como o bagaço de cana pode ser usado na produção de enzima sustentável na indústria de papel. Foto: Canoeste.

Um dos diferenciais da enzima desenvolvida é sua estabilidade térmica. Enquanto muitas enzimas fúngicas perdem eficiência em temperaturas mais elevadas, a xilanase estudada mantém atividade em torno de 60 °C. 

Essa característica permite a aplicação da enzima sustentável na indústria de papel, especialmente nas etapas finais do branqueamento industrial, quando a temperatura do processo já está reduzida. A substância atua como complemento ao método convencional, diminuindo a necessidade de agentes químicos agressivos

Atualmente, os pesquisadores buscam ampliar o uso da enzima sustentável na indústria de papel por meio de técnicas que permitam sua reutilização, com foco em aumentar sua durabilidade e eficiência ao longo do processo.

Os resultados reforçam o papel estratégico da pesquisa e da biodiversidade brasileiras no desenvolvimento de soluções industriais mais sustentáveis. Em um país que ocupa posição de destaque na produção global de celulose, tecnologias capazes de reduzir impactos ambientais tendem a ganhar relevância crescente nos próximos anos.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

Artigos Relacionados

Vacina: o lado mortal da desinformação

“A história já mostrou o que acontece quando a...

Empresas escolhem inteligência climática

“A decisão das empresas mostrou que o mercado já...

Duas rodas, floresta em pé e o valor oculto da Amazônia

“Quando um entregador em São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba...

CODAM da Bioeconomia e da Inovação Territorial

Entre a floresta, a ciência e a indústria, o...

O CODAM, as Startups e os Caminhos de Redução das Desigualdades Regionais

A expansão industrial continua a movimentar investimentos e empregos...