Imersão organizada pela Endeavor reúne executivos, organizações científicas e negócios da floresta para fortalecer o ecossistema de impacto.
Fortalecer redes entre investidores, executivos e empreendedores locais tornou-se um passo estratégico para ampliar a escala da bioeconomia amazônica. Quatro meses após a COP30, realizada em Belém, cresce o esforço para transformar os compromissos globais assumidos durante a conferência climática em iniciativas econômicas concretas na região.
Com esse objetivo, a Endeavor promoveu na última semana uma imersão exclusiva com executivos e investidores em Manaus e Novo Airão. A iniciativa buscou aproximar empreendedores da Amazônia de redes internacionais de inovação e impacto, consolidando parte das conexões estimuladas durante o encontro climático.
A proposta é simples, mas estratégica. Para que os negócios da floresta avancem, é necessário ampliar o diálogo entre quem desenvolve soluções baseadas na biodiversidade e quem possui capital, experiência de gestão e acesso a mercados.
Idesam como ponte entre ciência, capital e território
A iniciativa contou com a colaboração técnica do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), organização que atua há duas décadas na construção de um modelo econômico regenerativo para a região.
Ao longo da imersão, o instituto apresentou experiências acumuladas em projetos voltados à bioeconomia, com destaque para o Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio), a AMAZ Aceleradora de Impacto e a Zôma, geradora de negócios da floresta lançada durante o FIINSA na COP30.
Essas iniciativas têm em comum a tentativa de aproximar conhecimento científico, empreendedorismo e saberes tradicionais, criando condições para gerar renda e inovação a partir da biodiversidade amazônica.
Segundo Renato Rebelo, coordenador da Zôma, a participação do Idesam na agenda reforça esse papel de articulação entre diferentes atores do ecossistema.
Ele destaca que compreender a dinâmica local é fundamental para o sucesso dos investimentos.
Nossa atuação na imersão reforça o papel do Idesam como ponte entre o conhecimento científico, o capital de risco e o empreendedor local. Com mais de 20 anos de presença na região, estamos profundamente conectados ao território e compreendemos os desafios reais de quem empreende aqui. Afinal, o ‘tempo da floresta’ possui uma dinâmica própria, distinta do tempo do mercado financeiro tradicional
afirma.
Programação aproxima investidores da realidade da floresta
A agenda começou na última quinta-feira, 5 de março, com uma rodada de conexões entre executivos convidados pela Endeavor e startups locais no Casarão de Inovação Cassina, espaço que se consolidou como referência para o ecossistema de inovação em Manaus.

No dia seguinte, o grupo visitou duas instituições voltadas à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico. A programação incluiu o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA) e o Centro de Incubação e Desenvolvimento Empresarial (CIDE), onde foram apresentados projetos e oportunidades ligadas à bioeconomia.
Durante o fim de semana, as atividades seguiram para Novo Airão. Na cidade, investidores tiveram contato direto com empreendimentos ligados ao turismo de base comunitária e à produção de cosméticos sustentáveis, setores considerados promissores dentro da economia da floresta.
Empreendedores buscam escala e acesso a mercado
Para a Endeavor, iniciativas desse tipo ajudam a aproximar diferentes perfis de empreendedorismo e estimulam a construção de negócios capazes de crescer sem perder o compromisso com impacto socioambiental.
De acordo com Daniella Mello, diretora de Comunicação e Parcerias da organização, o objetivo é facilitar conexões que permitam acelerar esse ecossistema.
O empreendedor é aquele que acredita em um sonho e possui a mentalidade de crescer rápido, mas, no nosso contexto, esse crescimento deve vir acompanhado da geração de impacto positivo na vida das pessoas. Estamos aqui para abrir caminhos e facilitar conexões, investindo para que essa engrenagem continue girando
explica.
Na ponta do ecossistema, empreendedores da região veem nessas conexões uma oportunidade para superar gargalos históricos ligados a logística, acesso a investimento e inserção em mercados nacionais e internacionais.
Para Emerson Lima, pesquisador da Terra Amazônia Superplants, empresa especializada em suplementos alimentares baseados em ativos da biodiversidade amazônica, a aproximação com redes de empreendedores mais experientes ajuda a consolidar estratégias de crescimento.
Muitas vezes já conhecemos o caminho, mas ouvir a validação de empreendedores que atuam no mercado nacional é importante para fortalecer nossas decisões. Com o apoio do PPBio tivemos um avanço significativo, e agora precisamos dessa rede para escalar nossos negócios
afirma.
A experiência reforça um dos principais desafios da bioeconomia amazônica. Transformar o enorme potencial da biodiversidade em cadeias produtivas estruturadas exige mais do que boas ideias. Requer conexões duradouras entre ciência, investimento e empreendedorismo local.
