COP30 precisa ser a mais decisiva da história, alerta Carlos Nobre

Carlos Nobre relembra riscos de pontos de não retorno e critica metas insuficientes apresentadas pelos países na corrida climática rumo à COP30.

A 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em Belém (PA) entre 10 e 21 de novembro de 2025, precisa ser a mais decisiva da história. É o que defende o climatologista Carlos Nobre, para quem a COP30 deve marcar o início de ações efetivas e compromissos mais ambiciosos no enfrentamento da crise climática. Caso contrário, o mundo pode ultrapassar pontos de não retorno com impactos irreversíveis.

Pesquisador sênior do Instituto de Estudos Avançados da USP e co-presidente do Painel Científico para a Amazônia, Nobre alerta que as metas atuais dos países, as chamadas NDCs, estão muito abaixo do necessário. “Estudos mostram que, com as metas que todos os países colocaram em suas NDCs — e, na verdade, esses estudos foram feitos antes desse presidente americano ser eleito —, reduziríamos até uns 3% em 2030 das emissões, e não 43%”, afirma. A meta mínima para manter o aquecimento sob controle seria uma redução de 43% nas emissões até 2030.

Retrato de Carlos Nobre, climatologista brasileiro e referência internacional. Cientista defende que COP30 seja a mais decisiva da história.
Climatologista Carlos Nobre defende que a COP30 marque o início de ações efetivas para conter o aquecimento global. Foto: Lucas Lacaz Ruiz/SECOM

Segundo ele, manter o aquecimento em 2 °C ou mais até 2050 pode acionar vários pontos de inflexão climática. Um dos mais críticos é a savanização da Amazônia, que já emite mais carbono do que absorve em partes do sudeste do bioma, como o sul do Pará e o norte de Mato Grosso, desde 2010. Isso compromete a reciclagem de umidade e a regulação do clima, afetando o regime de chuvas em outras regiões do Brasil e da América do Sul.

A estação seca também está mais longa, quatro a cinco semanas em comparação com 40 anos atrás, o que aumenta incêndios, mortalidade de árvores e emissão de gases. Outros pontos de atenção são o degelo do permafrost no Ártico e o colapso de recifes de corais.

Imagem de desmatamento na Amazônia. Além do impacto das mudanças climáticas, a savanização da Amazônia é ser agravada por desmatamento, incêndios florestais e mineração. Foto: DanielBeltrá/Fábio Nascimento/ Greenpeace. 
Além do impacto das mudanças climáticas, a savanização da Amazônia é agravada por desmatamento, incêndios florestais e mineração. Foto: DanielBeltrá/Fábio Nascimento/ Greenpeace. 

Para Nobre, a COP30 deve garantir um novo fundo climático global de US$ 1,3 trilhão até 2035, voltado à transição energética e à adaptação de populações vulneráveis. No Brasil, mais de 4 milhões de pessoas vivem em áreas de risco e sofrem com ondas de calor cada vez mais frequentes. Por isso, medidas de adaptação climática como reflorestamento urbano, telhados verdes e centros de resfriamento são apontadas pelo cientista como urgentes. 

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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