Explosões de algas ocorrem até 34 dias antes no Ártico e revelam desequilíbrio ecológico que impacta desde o zooplâncton até povos indígenas que dependem da fauna marinha.
Um novo estudo científico mostrou que os floramentos de fitoplâncton no Oceano Ártico estão começando 34 dias antes e durando cerca de duas semanas a mais do que em 1970. Até o fim do século, esses eventos, essenciais para a vida marinha e para o equilíbrio climático, devem seguir se transformando. A principal causa são as mudanças climáticas, que estão derretendo o gelo marinho mais cedo e permitindo a entrada de mais luz solar no oceano.
Essas alterações indicam uma nova realidade ecológica no Ártico, com impactos duradouros sobre a biodiversidade, a produtividade do oceano e a segurança alimentar regional. Os floramentos são explosões de crescimento de algas microscópicas. Elas formam a base da cadeia alimentar marinha, sustentando desde o zooplâncton até peixes, aves, focas e baleias. Também ajudam a absorver CO₂ da atmosfera, contribuindo para o sequestro de carbono.
Com menos gelo e mais luz, o fitoplâncton consegue crescer por um período mais longo. Em várias regiões do sub-Ártico, como os mares de Bering, Barents e o Atlântico Norte, a importância dos floramentos como fonte concentrada de alimento está diminuindo. Nessas áreas, a produção de fitoplâncton está se espalhando ao longo do ano, reduzindo o impacto concentrado da “primavera marinha”.
Por outro lado, no Ártico central, onde antes o gelo era quase permanente, os floramentos estão ganhando força, com maior produtividade ao longo do tempo. O estudo também apontou uma troca nas espécies dominantes: as diatomáceas, algas maiores e mais nutritivas, estão sendo substituídas por fitoplâncton menor, como os flagelados. Isso pode enfraquecer o suporte à cadeia alimentar marinha e reduzir a eficiência no sequestro de carbono.
Com a mudança no ritmo dos floramentos, muitos animais marinhos podem não conseguir se adaptar a tempo. A falta de sincronia entre o pico de algas e o ciclo reprodutivo de zooplânctons, por exemplo, pode comprometer toda a cadeia alimentar. Isso preocupa também as comunidades indígenas do Ártico, que dependem da fauna marinha para alimentação e cultura.