Avanço do desmatamento ameaça captura de carbono na Amazônia, aponta estudo

Estudo revela que, sem frear o desmatamento, a captura de carbono na Amazônia pode cair 3,5%, comprometendo o equilíbrio climático e a segurança hídrica global.

Um estudo divulgado pela Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (RAISG) revelou que a captura de carbono na Amazônia pode sofrer uma redução de até 2,94 bilhões de toneladas nos próximos cinco anos, caso os países que compartilham o bioma não avancem no controle do desmatamento. A análise considerou três cenários possíveis até 2030, com base em dados de satélite e simulações da plataforma Dinâmica EGO.

Imagem aérea de floresta amazônica fragmentada pelo desmatamento, ameaçando a captura de carbono na Amazônia.
Fragmentação florestal causada pelo desmatamento compromete a captura de carbono na Amazônia e enfraquece sua função como reguladora do clima global. Foto: Marizilda Grupp/Greenpeace.

Mesmo se mantidas as atuais políticas ambientais, consideradas insuficientes pelos especialistas, o estudo projeta uma perda de 1,113 bilhão de toneladas de carbono capturado — cerca de 2% a menos em relação a 2023. No cenário mais crítico, com ausência de controle e avanço de atividades como agricultura, mineração e expansão urbana, a redução na captura de carbono na Amazônia chegaria a 3,5%.

A pesquisa, realizada em parceria com o Woodwell Climate Research Center, destaca o papel vital das Terras Indígenas e Áreas Naturais Protegidas, que concentraram 61% do carbono florestal absorvido em 2023. No Brasil, esses territórios correspondem a 44% do bioma. Para os pesquisadores, investir na proteção dessas áreas é essencial para conter a crise climática e preservar a captura de carbono na Amazônia como um serviço ambiental de escala global.

Território Yanomami com floresta preservada destaca o papel das comunidades na captura de carbono na Amazônia.
Terras Indígenas como a Yanomami concentram algumas das áreas mais preservadas do bioma e são essenciais para manter a captura de carbono na Amazônia. Terra Indígena Pirititi, Roraima. Foto: Felipe Werneck/Ibama.

Além da fragmentação das florestas, o estudo chama atenção para os danos silenciosos causados pela degradação: aumento na mortalidade de árvores, perda de capacidade de regeneração e prejuízos à fotossíntese — processo essencial para a remoção do CO₂ da atmosfera pelas plantas.

A RAISG alerta que, sem mudanças efetivas, a Amazônia pode deixar de ser um sumidouro de carbono e se transformar em uma fonte de emissões, agravando os efeitos do aquecimento global. A rede recomenda políticas integradas entre ciência e saberes tradicionais, economia de baixo carbono e combate ao desmatamento e às atividades ilegais.

“Estamos diante de uma contagem regressiva ambiental”, afirmou Renzo Piana, do Instituto do Bem Comum. Mireya Bravo Frey, coordenadora do projeto, destacou que “Cada tonelada de carbono preservada é um investimento no futuro do planeta”.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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