Manguezais do Brasil capturam mais carbono que a Amazônia

Projeto da USP busca entender o potencial dos manguezais na captura de carbono, essencial para a mitigação de mudanças climáticas

O Brasil é o quinto maior país em extensão territorial e o segundo maior em extensão de manguezais: são cerca de 1 milhão de hectares dessas florestas cobrindo a área do país. E quando se fala em captura de carbono, processo essencial na mitigação de mudanças climáticas, essa vegetação possui grande potencial, visto que o mangue é um bioma altamente eficiente no sequestro de carbono do ambiente.

Com o objetivo de avaliar a capacidade desses ecossistemas ao longo da costa brasileira, contribuindo para estratégias globais de preservação, surgiu o projeto BlueShore, conduzido pelo Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), programa afiliado à Universidade de São Paulo (USP).

Manguezais têm potencial de gerar R$ 49 bilhões em crédito de carbono
Manguezais têm potencial de gerar R$ 49 bilhões em crédito de carbono | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O BlueShore visa calcular com precisão o potencial de captura de carbono do mangue e criar um banco de dados abrangente para preencher lacunas de informação em diversas regiões do Brasil. Para isso, a equipe percorre o litoral coletando dados sobre diferentes cenários climáticos e geomorfológicos. Além disso, investiga os impactos ambientais da mudança no uso da terra ao longo das décadas, que variam conforme a região: no Norte, a agropecuária afeta os manguezais; no Nordeste, o cultivo de camarão; e no Sudeste, a urbanização.

“As florestas de manguezais têm o potencial de capturar de três a cinco vezes mais carbono por hectare do que a Floresta Amazônica”, destaca o professor Tiago Osório Ferreira, coordenador do projeto e professor do Departamento de Ciência do Solo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), ao Jornal da USP. “Além disso, oferecem diversos outros serviços ecossistêmicos, como a proteção costeira contra a erosão e a provisão de habitats para diversas espécies marinhas.”

Preservação do bioma

As raízes aéreas do mangue são essenciais para diminuir a erosão causada pelas ondas e preservar as zonas costeiras.
As raízes aéreas do mangue são essenciais para diminuir a erosão causada pelas ondas e preservar as zonas costeiras | Foto: Marcos Santos/imagens USP

Os manguezais, apesar de sua resiliência a condições extremas, não são invulneráveis. A conversão dessas áreas em pastagens compromete sua recuperação natural, pois eles são ecossistemas menos competitivos e não conseguem se expandir quando cercados por vegetações mais fortes.

Com isso, além do impacto ambiental em torno da devastação de terras do bioma, existe o impacto social, pois os manguezais geram renda para diversas comunidades e oferecem serviços ecossistêmicos avaliados em mais de US$ 90 mil por hectare ao ano. Assim, o estudo de seu potencial aliado a estratégias para sua preservação é essencial tanto para o meio ambiente, quanto para a economia e o bem-estar social.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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