Denis Minev: “A Amazônia não é ré, é credora no balanço ambiental do mundo”

“Enviado especial para a COP30 defende nova consciência climática e economia da floresta em pé como base do futuro amazônico e global”

O empresário e economista Denis Minev, diretor do grupo Bemol e enviado especial para o setor privado da Amazônia na COP30, tem levado ao debate global uma ideia simples e poderosa: a Amazônia não deve ser vista como um problema a ser contido, mas como uma solução que o planeta ainda não aprendeu a usar.

Seu projeto para a conferência climática de Belém nasce de uma convicção: a floresta é o ativo mais estratégico do século XXI — não apenas ambientalmente, mas também econômica e moralmente.

O empresário e economista Denis Minev, diretor do grupo Bemol e enviado especial para o setor privado da Amazônia na COP30, tem levado ao debate global uma ideia simples e poderosa: a Amazônia não deve ser vista como um problema a ser contido, mas como uma solução que o planeta ainda não aprendeu a usar.

Seu projeto para a conferência climática de Belém nasce de uma convicção: a floresta é o ativo mais estratégico do século XXI — não apenas ambientalmente, mas também econômica e moralmente.

Confira o bate-papo com Alfredo Lopes:

Da economia extrativista à bioeconomia regenerativa

Minev explica que a nova economia amazônica precisa romper o paradigma do extrativismo e criar condições para que a floresta em pé seja o caminho mais lógico e lucrativo.

“Enquanto a destruição gerar mais renda do que a preservação, o desmatamento continuará. A mudança real começa quando preservar se torna um bom negócio — e isso depende de precificar corretamente o carbono, valorizar produtos florestais e investir em ciência e inovação regional.”

O empresário defende a precificação justa do carbono como motor de desenvolvimento. “O carbono tem valor. E é esse valor que pode financiar cadeias produtivas sustentáveis, gerar renda e transformar o que hoje é periferia ambiental em centro de inovação climática.”

Segundo ele, a Amazônia deve se tornar um território de oportunidades verdes, com hubs de bioindústria, sistemas agroflorestais e startups voltadas à regeneração da terra e das águas.

“A Amazônia pode ser uma usina de soluções. Não há lugar mais propício para experimentar novos modelos de produção, energia e convivência com a natureza.”

Floresta em pé: o símbolo de uma nova consciência

Ao longo de sua trajetória — do serviço público à liderança empresarial — Minev consolidou a crença de que desenvolvimento e floresta não são opostos, mas dimensões complementares de um mesmo projeto civilizatório.

Para ele, a floresta em pé é o símbolo de uma nova consciência climática. “Não é só um tema ambiental; é uma escolha ética, política e econômica. Representa o equilíbrio entre produção e preservação, entre o direito de prosperar e o dever de conservar.”

A proposta que levará à COP30 inclui um plano de transição econômica para a Amazônia, com base em sistemas agroflorestais regenerativos, crédito de carbono, bioeconomia e infraestrutura verde.

O modelo prevê que os recursos internacionais sejam canalizados diretamente para atividades sustentáveis, garantindo que o dinheiro vá “para quem cuida da floresta e não para quem a destrói”.

O empresário e economista Denis Minev, diretor do grupo Bemol e enviado especial para o setor privado da Amazônia na COP30, tem levado ao debate global uma ideia simples e poderosa: a Amazônia não deve ser vista como um problema a ser contido, mas como uma solução que o planeta ainda não aprendeu a usar.

Seu projeto para a conferência climática de Belém nasce de uma convicção: a floresta é o ativo mais estratégico do século XXI — não apenas ambientalmente, mas também econômica e moralmente.

Governança, justiça climática e participação local

Minev reconhece que os desafios são grandes: infraestrutura deficiente, insegurança fundiária, dificuldade de acesso a crédito e falta de coordenação institucional. Mas insiste que o caminho passa pela união de setores públicos, privados e comunidades locais.

“A Amazônia precisa de uma governança moderna, transparente e inclusiva. Nenhuma política funcionará se não envolver as populações que vivem aqui — indígenas, ribeirinhos, agricultores e empreendedores locais.”

Em suas falas recentes, o empresário também tem defendido que o Fundo Amazônia e outros mecanismos financeiros não substituem os orçamentos públicos, mas devem funcionar como aceleradores de atividades econômicas de baixo carbono.
“Não se trata de pedir ajuda, mas de oferecer parceria. A floresta é nossa, e a responsabilidade de cuidar dela também. Mas o mundo precisa reconhecer e valorizar esse serviço.”

COP30: a Amazônia fala por si

Na COP30, Denis Minev quer levar uma mensagem clara aos líderes globais: a Amazônia pode e deve ser protagonista da transição ecológica mundial.

Ele propõe um pacto de prosperidade climática — no qual a floresta em pé gera valor, a indústria inova com propósito, e o desenvolvimento humano se torna o verdadeiro indicador de sucesso.

“A Amazônia é a fronteira moral do século XXI. Aqui se decidirá se a humanidade será capaz de reconciliar economia e natureza. Se fizermos certo, a Amazônia deixará de ser vista como uma causa distante e passará a ser o exemplo de uma nova forma de viver.”

Mensagem final

Ao concluir a conversa, Minev resume sua ambição com serenidade:

“Não quero que a Amazônia seja salva. Quero que ela prospere — com dignidade, com ciência e com a força de quem já entendeu que a floresta em pé é a base de toda a vida.”

Alfredo Lopes
Alfredo Lopes
Alfredo é filósofo, escritor e editor-geral do portal Brasil Amazônia Agora

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