Startup de Manaus desenvolve bioplástico amazônico a partir de caroços de frutos regionais e leva inovação sustentável para o Polo Industrial de Manaus.
Uma startup de Manaus está aproximando as indústrias do Polo Industrial de Manaus (PIM) da bioeconomia regional por meio da produção de bioplástico amazônico feito a partir de caroços de frutos como tucumã, açaí e cupuaçu. A iniciativa é da Fipo Biopellet, fundada pelo pesquisador Genilson Pereira Santana, doutor em Físico-Química pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A trajetória começou em 2011, em um projeto de iniciação científica na Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Durante o doutorado, em 2017, Genilson desenvolveu compósitos a partir do pó de caroço de tucumã misturado ao polipropileno, tecnologia que rendeu publicação internacional na revista Fibers and Polymers. Em 2019, ele criou a AGJTech, primeira versão da Fipo Biopellet, mas a pandemia interrompeu as atividades. O recomeço veio em 2022, com recursos do Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio) – iniciativa da Suframa e coordenada pelo Idesam -, que destinou R$ 1,33 milhão ao projeto de peças ecossustentáveis para bicicletas.
Hoje, a Fipo Biopellet desenvolve uma fórmula inédita que combina fibras de dez frutos amazônicos, entre eles guaraná, murumuru, castanha-do-brasil, buriti e pupunha, com diferentes resinas plásticas. O bioplástico amazônico já é usado na produção de copos biodegradáveis disponíveis no mercado e a tecnologia tem pedido de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
A capacidade de produção pode alcançar 200 toneladas mensais, mas a expansão depende de investimentos e da superação de gargalos logísticos. “O maior desafio é convencer os clientes, principalmente da indústria, e conseguir investimentos para compra de maquinário”, afirma Genilson. Para ele, o uso de resíduos da floresta na fabricação de bioplástico amazônico é um caminho estratégico para fortalecer a indústria verde no PIM.

