Em entrevista, o arcebispo de Manaus Leonardo Steiner criticou a exploração mineral em terras indígenas e alertou para riscos sociais, ambientais e democráticos.
O arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Steiner, afirmou que o modelo econômico atual coloca em risco a vida humana e o meio ambiente. Em entrevista, ele destacou que interesses econômicos, sobretudo ligados à exploração mineral em terras indígenas, se sobrepõem ao bem-estar coletivo e à preservação da natureza.

“Mineração significa destruir a terra indígena, mas significa também destruir os nossos rios. O garimpo tem levado o mercúrio para as nossas águas. Hoje, sem saber, às vezes estamos ingerindo carne de peixe com mercúrio. Temos povos indígenas com dificuldades enormes. E crianças, inclusive, com dificuldade de percepção porque no leite materno já recebem mercúrio. Isso é gravíssimo”, alertou.

Segundo o arcebispo de Manaus, empresas mineradoras priorizam o lucro em detrimento da dignidade humana e da justiça socioambiental. Ele criticou o projeto aprovado pela Comissão de Direitos Humanos que autoriza pesquisa e lavra em terras indígenas, considerado por ele uma afronta aos direitos originários. Como presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Steiner lembrou que a Igreja atua no STF em defesa dos povos.
O cardeal defende a necessidade de repensar a economia, citando a encíclica Laudato Si, do Papa Francisco, que orienta que ela esteja a serviço da “Casa Comum”. Para o arcebispo de Manaus, a concentração de riquezas está ligada à intensificação de eventos climáticos extremos e ao avanço do aquecimento global. “Estamos devagarinho pedindo que a morte se aproxime”, disse.
Ele também chamou atenção para a fragilização das instituições democráticas, agravada pela Lava Jato e pelo avanço de fake news. Para Steiner, o fortalecimento da democracia exige diálogo, escuta e participação, além do testemunho da Igreja na defesa da justiça, da fraternidade e da vida.
