A tinta adaptável é capaz de alterar a temperatura do ar interno de um edifício em até 7ºC
O designer industrial Joe Doucet decidiu ir além das estratégias de adaptação climática convencionais e desenvolveu uma tinta termocrômica inovadora. O material muda de cor conforme a temperatura ambiente, visando otimizar a eficiência energética de edificações.
Essa tinta adaptável transita de uma tonalidade escura em temperaturas abaixo de 25 °C para uma tonalidade clara quando a temperatura ultrapassa esse valor. A mudança de cor permite que, durante o verão, a superfície clara reflita o calor, mantendo o interior mais fresco, enquanto no inverno, a tonalidade escura absorve calor, auxiliando no aquecimento interno.
Doucet afirma que a mudança de cor pode afetar a temperatura do ar interno de um edifício em até 7ºC, segundo testes. Estudos já indicam que essa adaptação pode resultar em uma economia de energia entre 20% e 30% nos custos de aquecimento e resfriamento de edifícios.
“Não há nenhuma tecnologia inteligente, nenhuma peça móvel, apenas uma simples mudança de cor que pode reduzir drasticamente o consumo de energia”, explicou Joe.
Como funciona a tinta adaptável?
Joe Doucet iniciou sua pesquisa sobre tintas termocrômicas durante a reforma de sua própria casa, ao perceber que a escolha da cor externa influenciava diretamente no conforto térmico e nos gastos com energia.
Sem encontrar informações precisas sobre como as cores externas impactavam a temperatura interna, decidiu realizar seus próprios testes ao longo de um ano. Os resultados mostraram que casas pintadas de branco, por exemplo, mantinham-se cerca de 7 °C mais frescas no verão em comparação às pretas, mas até 4 °C mais frias também no inverno, o que poderia ser negativo em climas frios.

A partir disso, Joe Doucet desenvolveu a tecnologia de uma tinta adaptável termocrômica, baseada no uso de cristais líquidos. São materiais conhecidos por mudarem de cor em resposta à temperatura — um princípio também usado nos famosos “anéis de humor”, que reagem à circulação sanguínea e, indiretamente, às emoções. Essa mudança ocorre porque a variação de temperatura altera a estrutura molecular dos cristais líquidos, modificando os comprimentos de onda da luz que eles refletem.
Quando a temperatura está abaixo de 25 °C, os cristais líquidos presentes no aditivo absorvem a maior parte da luz visível, fazendo com que a superfície pareça preta, o que ajuda a absorver calor em dias frios. Já quando a temperatura ultrapassa os 25 °C, esses cristais se tornam transparentes, revelando a cor original da tinta adaptável por baixo — geralmente clara — e permitindo que a superfície reflita mais luz e calor, proporcionando resfriamento.
O aditivo criado pelo designer pode ser misturado a qualquer tinta, independentemente da cor base, para que ela torne-se adaptável, mas o ideal é que ela seja branca ou de tons claros para maximizar o efeito de proteção térmica e eficiência energética na edificação.
