Tempestade de poeira atinge Manaus com ventos de 70,4 km/h

Uma tempestade de poeira inusitada atingiu a cidade de Manaus neste domingo, trazendo consigo ventos intensos de até 70,4 km/h, de acordo com informações do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam). Este fenômeno meteorológico causou destelhamentos e danificou a rede elétrica, além de comprometer a visibilidade em várias áreas.

Relatos e vídeos capturados por residentes locais mostram areia sendo levantada e invadindo imóveis. A combinação de areia com a fumaça de queimadas, que já afetava a cidade há mais de uma semana, resultou numa cobertura densa sobre prédios e ruas, afetando significativamente a visibilidade.

Condições meteorológicas e análise do Censipam

O Censipam esclareceu que tempestades do gênero são frequentes nesta época do ano em Manaus, especialmente durante a transição do “verão amazônico” para o “inverno amazônico”. Gustavo Ribeiro, meteorologista do centro, explicou que entre outubro e dezembro, eventos de curta duração, mas de grande intensidade, são comuns, incluindo ventos fortes e chuvas pesadas.

Curiosamente, apesar da força do vento, a precipitação foi baixa durante a tempestade, com registros não ultrapassando 10 milímetros em 24 horas, conforme dados da Defesa Civil de Manaus. No entanto, as fortes rajadas de vento causaram prejuízos, como destelhamentos em diversos pontos da cidade, com incidências notáveis em bairros como Lírio do Vale e Redenção.

Veja o vídeo da tempestade em Manaus

Operações aeroportuárias mantidas

Apesar dos fortes ventos, que ultrapassaram os 70 km/h nas proximidades do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, as operações de pousos e decolagens não foram afetadas, conforme afirmado pela direção do Aeroporto de Manaus.

Este evento destaca a vulnerabilidade de áreas urbanas a fenômenos meteorológicos extremos, evidenciando a necessidade de preparação e resposta adequadas por parte das autoridades e da população.

A tempestade de poeira que atingiu Manaus não apenas causou danos visíveis à cidade, mas também interrompeu atividades cruciais, incluindo a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2023. A força dos ventos afetou a rede elétrica, resultando em cortes de energia em escolas onde as provas estavam sendo aplicadas.

O Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) alerta para a possibilidade de mais rajadas de vento semelhantes nos próximos meses. Esse cenário preocupa os residentes e as autoridades da cidade, que já enfrentam os desafios impostos pela tempestade recente.

Manaus
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Chuvas abaixo da média devido ao El Niño

Paralelamente, as previsões indicam que as chuvas em Manaus devem permanecer abaixo da média para este período do ano. Gustavo Ribeiro, meteorologista do Censipam, explicou que o fenômeno climático El Niño está influenciando as condições atmosféricas. Este fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, tem um impacto direto na formação de nuvens na região da Amazônia, reduzindo as chuvas.

Persistência da fumaça e qualidade do ar

Após a tempestade de domingo, a poeira se dissipou, mas a fumaça ainda cobre a capital. Esta nuvem cinzenta, que afeta Manaus desde agosto, tornou-se mais densa após a tempestade. Na segunda-feira, a qualidade do ar em Manaus continua sendo um motivo de preocupação, destacando os problemas ambientais e de saúde enfrentados pela cidade.

Este conjunto de eventos ressalta a complexidade dos desafios climáticos e ambientais que Manaus enfrenta, e a necessidade urgente de estratégias eficazes para lidar com fenômenos meteorológicos extremos e seus impactos abrangentes.

*Com informações G1

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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