“Desde 1942, quando os irmãos Samuel, Israel e Saul Benchimol iniciaram aquela que se tornaria uma das empresas mais conhecidas da Amazônia, muita coisa mudou. Para melhor”
Há aniversários empresariais que permitem contar, ao mesmo tempo, a história de uma cidade e de uma região. O aniversário da Bemol pertence a essa categoria. Celebrar sua trajetória é revisitar parte importante das transformações econômicas e sociais do Amazonas e reconhecer uma experiência empresarial que aprendeu a crescer sem perder de vista o território onde nasceu.
Desde 1942, quando os irmãos Samuel, Israel e Saul Benchimol iniciaram aquela que se tornaria uma das empresas mais conhecidas da Amazônia, muita coisa mudou. Para melhor. Manaus atravessou ciclos econômicos, recebeu a Zona Franca, multiplicou sua população, tornou-se uma metrópole industrial e passou a conviver com os desafios de uma urbanização acelerada em meio à maior floresta tropical do planeta. A Bemol atravessou essas mudanças como protagonista da economia regional.
Sua presença foi construída pela capacidade de compreender uma característica fundamental da Amazônia: aqui, empreender exige conhecer distâncias, dificuldades logísticas, diferenças sociais e culturais e, sobretudo, estabelecer relações duradouras de confiança.
Essa talvez seja uma das razões pelas quais a história da Bemol ultrapassa a história de uma rede comercial. Ao longo das décadas, a empresa incorporou tecnologia, modernizou sua logística, ampliou serviços, investiu na formação de pessoas e desenvolveu uma cultura empresarial profundamente associada ao conhecimento da realidade amazônica.
Há nessa trajetória uma herança intelectual que merece atenção. Samuel Benchimol foi empresário, professor, pesquisador e um dos mais persistentes intérpretes da Amazônia contemporânea. Muito antes de sustentabilidade, bioeconomia e mudanças climáticas ocuparem o centro da agenda internacional, ele já procurava compreender como seria possível gerar prosperidade, emprego e oportunidades na região preservando seu patrimônio natural.
Essa pergunta continua atual.
A Amazônia do século XXI precisa transformar conhecimento científico, biodiversidade, indústria, tecnologia e recursos naturais em bem-estar para sua população. Precisa criar oportunidades para os jovens, reduzir desigualdades, fortalecer sua economia legal e ampliar sua capacidade de produzir riqueza mantendo a floresta em pé.
Empresas amazônicas longevas carregam uma responsabilidade particular nesse processo. Elas acumulam algo que balanços financeiros dificilmente conseguem registrar por inteiro: conhecimento do território, relações de confiança, memória institucional e capacidade de formar gerações.
A Bemol chega a mais um aniversário trazendo consigo esse patrimônio.
A nova geração da família Benchimol-Minev tem procurado atualizar essa herança diante dos desafios contemporâneos, aproximando empreendedorismo, educação, inovação, sustentabilidade e compromisso com o futuro da Amazônia. É a continuidade de uma história que precisa permanentemente se reinventar, porque a própria região está mudando e o mundo passou a olhar para ela com uma intensidade inédita.
Celebrar a Bemol, portanto, é também celebrar uma forma amazônica de empreender.
Uma presença construída ao longo de décadas, acompanhando famílias, trabalhadores, consumidores, fornecedores e comunidades. Uma empresa que cresceu junto com Manaus e que, ao alcançar mais um aniversário, oferece uma oportunidade para refletir sobre aquilo que talvez seja o maior desafio econômico de nossa geração: fazer da Amazônia um lugar onde conservação ambiental, conhecimento e prosperidade possam caminhar juntos.
Depois de tantas décadas, a melhor homenagem a uma trajetória empresarial talvez esteja justamente na continuidade dessa tarefa.
Porque o futuro da Amazônia dependerá, em grande medida, de quem estiver disposto a construí-lo aqui, como tem feito a Bemol.