Petrobras: exploração de petróleo na Foz do Amazonas traz riscos, alerta IBAMA

Mesmo com a pressão da Petrobras e do Ministério de Minas e Energia, a direção do IBAMA segue apontando para os riscos do projeto de exploração de petróleo na foz do rio Amazonas e para a necessidade de mais estudos para avaliar esses riscos para os ecossistemas da região.

Em conversa com Guilherme Amado, no Metrópoles, o presidente do IBAMA, Rodrigo Agostinho, reiterou que o IBAMA deve responder ao pedido de licenciamento em cerca de 60 dias. Ele afirmou que o órgão ambiental avaliará se a Petrobras tem capacidade de conter eventuais vazamentos de petróleo, bem como os impactos potenciais de episódios do tipo na fauna marinha.

O projeto na foz do Amazonas é visto como estratégico pela Petrobras, já que será a primeira exploração petrolífera na chamada Margem Equatorial brasileira, uma área com alto potencial de produção.

A nova direção da empresa, na figura de seu presidente, Jean-Paul Prates, abraçou a proposta e vem intensificando seus esforços para convencer o IBAMA e o governo federal sobre a importância do projeto.

Petrobras
Ilustração, jornal.usp.br.

O Globo destacou dados do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) que estimam as reservas de petróleo na Margem Equatorial em 30 bilhões de barris. Se isso se concretizar, a produção de petróleo no Brasil pode chegar a quase 7 milhões de barris por dia em 2029.

Ao blog de Andréia Sadi no g1, Prates defendeu a exploração petrolífera na foz do Amazonas, destacando que o projeto pode ser “um salto em direção ao futuro”. A afirmação faria algum sentido, ao menos retórico, se estivéssemos em 1983, mas não passa de um absurdo em 2023, no contexto da crise climática e da necessidade de acabarmos com a queima de combustíveis fósseis.“

Os analistas da agenda ESG argumentam que a postura de Jean-Paul Prates em relação à transição energética ignora a emergência climática global e vai na contramão do esforço mundial, que é o de priorizar de reforçar as fontes renováveis e diminuir gradativamente a dependência do petróleo”, comentou Rosana Jatobá na CBN.

Texto publicado em CLIMA INFO

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

O país que ainda não sabe quanto deve à Amazônia — Parte II

"Da borracha à Zona Franca, da biodiversidade ao clima,...

Dia da Amazônia: avanço contra o desmatamento não encerra crise no bioma 

A Amazônia registra menos alertas de desmatamento, mas secas, queimadas, atividades ilegais e novas fronteiras econômicas ampliam os riscos.

A nova fronteira de competitividade do Polo Industrial de Manaus

"A digitalização amplia a produtividade, integra cadeias produtivas e...

0,4% contra US$ 13,29 bilhões: para onde vai o dinheiro público na Amazônia

Estudo mostra que o investimento público na Amazônia favorece o agronegócio, enquanto o crédito socioambiental é negligenciado.