Liderança tecnológica para a Amazônia 

Os líderes da Amazônia desta geração precisam assumir papeis de liderança na preservação responsável do meio ambiente, integrando redes locais, nacionais e globais de pesquisa, desenvolvendo indústrias nacionais de alta tecnologia que respeitem e usem os conhecimentos tradicionais, encontrando meios de gerar riqueza para o autofinanciamento e a transformação da Amazônia. Sem esta trajetória, seguiremos a girar em círculos, entre épocas de inação e outras de destruição. 

Por Augusto Rocha
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Em meio a disputa sobre quem determina o futuro da Amazônia e quem a ocupa, estão as Leis que poderão ser ignoradas ou seguidas. Faz parte do imaginário que a área possui um mega potencial que poder ser aproveitado ou destruído. A utilização mais rentável será com a adoção de ferramentas de tecnologia. Sem elas, seu uso será pouco rentável para a maioria e muito rentável apenas para alguns. Com a alta tecnologia, as possibilidades aumentam para todos, menos para o grupo da ilegalidade. Mas, tanto em um caso, como no outro, são apenas possibilidades. Assim, todos querem liderar a Amazônia. A questão é que os liderados precisarão aceitar. 

A quem cabe esta liderança? Naturalmente ao Brasil e aos países de seu entorno. Naturalmente aos Amazônidas, mas para isso precisaremos nos habilitar e estabelecer as bases para esta liderança. A Rede Bionorte e as instituições de Ciência Brasileira possuem esta possibilidade, mas é necessário que sejam empoderadas e adotem posições próprias e acertadas aos olhos dos demais empoderados, para atrair mais recursos e apoio institucional. Sem isso, será inviável transformar a trajetória histórica de poucas ações transformadoras. 

Infelizmente as possibilidades maiores são voltadas para o não aproveitamento dos recursos de maneira maiúscula, pois, pela inação, caminhamos para o desperdício, por pura inocência, ignorância ou estupidez. Não importa o grau de imaturidade, mas seguimos a deliberar pautas de retrocesso, de atraso, como se fossem sinônimos de inteligência. Burrice em alto e bom som continua sendo burrice.  

Seguiremos a ignorar as possibilidades ou nos modernizaremos? Nestes 200 anos de independência do Brasil, precisaremos sair do atraso que é o de nos posicionarmos de maneira subservientes para outros países ou para pequenos grupos nacionais, com interesses de espoliação pura e simples. Superar este hábito é o maior desafio, pois seguimos com a vocação de trocar nossas riquezas por espelhos, sem assumir a efetiva liderança. Apenas a ciência, aliançada com o capital e o Estado, é que poderá mudar esta realidade. 

Parafraseando o Bill Gates, seria mais importante compreender o que deu e que dá errado na região do que celebrar sucessos inexistentes. Temos uma história monumental de erros na Amazônia e falta-nos admitir isto. Enquanto estes erros não forem admitidos e analisados, não conseguiremos transcender a reiteração deles. Pior que errar é seguir a cometer erros e celebrá-los como se fossem acertos.  

Os líderes da Amazônia desta geração precisam assumir papeis de liderança na preservação responsável do meio ambiente, integrando redes locais, nacionais e globais de pesquisa, desenvolvendo indústrias nacionais de alta tecnologia que respeitem e usem os conhecimentos tradicionais, encontrando meios de gerar riqueza para o autofinanciamento e a transformação da Amazônia. Sem esta trajetória, seguiremos a girar em círculos, entre épocas de inação e outras de destruição. 

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Augusto Rocha é professor da UFAM e parceiro fundador do portal Brasil Amazônia Agora
Augusto Rocha
Augusto Rocha
Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM

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