Usar máscaras, eficácia de combate à pandemia Covid-19

Jeremy Howard (org.)

IMG 0550
Jacques Marcovitch é professor sênior da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) e do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da Universidade de São Paulo (USP), da qual foi reitor (1997-2001). Integra o Conselho Deliberativo do Graduate Institute of International and Development Studies (IHEID), em Genebra.

Recebemos do professor Jacques Marcovitch, professor emérito da USP e ex-reitor dessa Universidade, um amigo/benemérito da Amazônia, um estudo precioso sobre uso de máscaras. Um mutirão de pesquisadores, compilados por Jeremy Howard & al, do movimento #mask4all, conclui que, se 100% das pessoas usarem máscaras, mesmo que cada máscara tenha uma efetividade baixa (ex. 50%), o valor de RO da epidemia pode ficar abaixo de 1, ou seja, a epidemia se reduz consideravelmente. O trabalho mostra o grande benefício proporcionado pelas máscaras. É o chamado efeito de rede. Dada uma efetividade de 60%,  se  ao invés de 20% das pessoas usarem máscaras, 60% das pessoas usarem, o R0 da epidemia  cai de 2 para 1.  Em se tratando de exponenciais, essa redução tem um efeito considerável.

Tudo sobre as vantagens/benefícios no uso das máscaras 

A Ciência em torno do uso de máscaras – pelo público em geral – para impedir a transmissão do COVID-19 está avançando rapidamente. Os formuladores de políticas precisam de orientação sobre como as máscaras devem ser usadas pela população em geral para combater a pandemia do COVID-19. Aqui, sintetizamos a literatura relevante para informar várias áreas: 1) características de transmissão do COVID-19, 2) características de filtragem e eficácia de máscaras, 3) impactos estimados na população do uso generalizado de máscaras na comunidade e 4) considerações sociológicas para políticas sobre o uso de máscaras. Uma via primária de transmissão do COVID-19 é provavelmente via pequenas gotículas respiratórias e é conhecida por ser transmissível por indivíduos pré-assintomáticos e assintomáticos. 

Distanciamento social e uso de máscaras 

Reduzir a propagação de doenças requer duas coisas: primeiro, limitar contatos de indivíduos infectados por meio de distanciamento físico e rastreamento de contatos com quarentena apropriada; e segundo, reduzir a probabilidade de transmissão por contato usando máscaras em público, entre outras medidas. A preponderância de evidências indica que o uso de máscaras reduz a transmissibilidade por contato, reduzindo a transmissão de gotículas infectadas nos contextos laboratorial e clínico. O uso público de máscaras é mais eficaz em impedir a propagação do vírus quando a conformidade é alta.

Custo baixo de intervenção

A diminuição da transmissibilidade pode reduzir substancialmente o número de mortos e o impacto econômico, enquanto o custo da intervenção é baixo. Portanto, recomendamos a adoção do uso público de máscara de pano, como uma forma eficaz de controle da fonte, em conjunto com as estratégias existentes de higiene, distância e rastreamento de contato. Recomendamos que funcionários públicos e governos incentivem fortemente o uso de máscaras faciais generalizadas em público, incluindo o uso de regulamentação apropriada.

Jacques Marcovitch
Jacques Marcovitch
Jacques Marcovitch é professor emérito da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo, da qual foi reitor de 1997 a 2001. É também professor do Instituto de Relações Internacionais da USP. Integra o Conselho Deliberativo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin em São Paulo e do Graduate Institute of International and Development Studies (IHEID), em Genebra. Além de parceiro e fundador do portal Brasil Amazônia Agora

Artigos Relacionados

Anotações para o novo lustro da economia brasileira – 2026 a 2030

Comentários de Alfredo Lopes - BrasilAmazoniaAgora O Brasil entre...

SOS Amazônia: o Super El Niño já começou

Super El Niño pode agravar secas, calor extremo e pressão sobre rios e comunidades na Amazônia, reforçando a urgência da adaptação climática.

Dia da Indústria: a força produtiva da Amazônia e o protagonismo feminino na construção do futuro

Entre desafios logísticos, pressão internacional e transição climática, a indústria do Amazonas consolidou uma experiência singular de desenvolvimento associado à floresta em pé, com mulheres assumindo papel cada vez mais estratégico nos espaços de liderança, inovação e transformação regional.

Quem vai pagar a despesa na confraternização da escala 6×1?

A própria indústria compreende que trabalhadores mais descansados, valorizados...