Transparência sem fronteiras

Há 15 anos, na sequência das discussões do Centro de Biotecnologia, e de olho nas premissas do desenvolvimento do Polo Industrial de Manaus, sua diversificação e gestão tecnológica que assegurasse transferência de tecnologia avançada e sua utilização estratégica para formação de clusters, foi esboçado o projeto do Parque Tecnológico para o modelo ZFM, o CT-PIM. Com a prorrogação iminente, ocorrida em 2003, o desenho e o desafio eram transformar Manaus num centro competitivo de produção de classe mundial, como, na mesma ocasião, se deu em Cingapura, com sua Biopolis, ou nos avanços em tecnologia da informação e da comunicação, de Bangalore, na Índia; na relação fecunda entre academia e economia na Universidade da Catalunha, cujos reflexos fizeram de Barcelona uma referência de excelências que o planeta reverencia, ou ainda o modelo da Califórnia, baseado em inteligências criativos. Manaus adotaria, com o CT-PIM, o CBA, um Plano B, e as fontes de recursos necessárias para este fim seriam as taxas da Suframa, as verbas de P&D, além dos aportes que as indústrias de base tecnológica e biotecnológica atrairiam.

O que aconteceu desde então? Os dois programas institucionais foram congelados, a despeito de proximidades/intimidades políticas nunca vistas. Os tais recursos foram progressivamente confiscados sob obscuras justificativas. Entre a bajulação e o aporte de investimentos na qualificação de recursos humanos, importação de cérebros, captura regional e global de talentos, para assegurar pesquisa aplicada, inovação tecnológica, empreendedorismo e gestão de programa de inteligência competitiva (informação econômica, mercadológica, gerenciamento de banco de dados), restou o cansaço e a desilusão. Perdemos o bonde de um sistema de ciência e tecnologia regional. Além da obviedade dos programas de TICs, sua relação com a nanotecnologia e a biogenética, por que não desencadear, de imediato, a aposta no Grafeno, insumo revolucionário para a indústria local? Por que esperar o Godot de parques tecnológicos oníricos, se a Escola Superior de Tecnologia já pode desencadear programas e projetos? Por que protelar a nutracêutica, a dermocosmética, a fitoterapia orgânica, aliadas ao estudo dos compostos orgânicos voláteis que já estão em andamento? Temos um caminho seguro a assumir: retomar a compreensão e utilização do processo evolutivo da biologia molecular e investigação botanica que Alfred Wallace Russel iniciou na floresta amazônica nos anos 1860.

É hora de construir com a Universidade do Estado do Amazonas as bases de um Plano Estadual/Regional de Ciência, Tecnologia e Inovação, eivado de relações próximas com o ISI Instituto Senai de Inovação,  institutos regionais e nacionais, em rede, como preconizava a BioAmazônia, o conceito institucional original do CBA, partilhando saberes e inovações. Na última reunião do CT- Amazônia, a única de 2014, na Suframa, onde deveria funcionar o CAPDA, o comitê responsável pela análise e distribuição de recursos para programas de P&D, de novo, nada aconteceu a favor dos interesses locais. Em bloco, sem temor nem vacilação, é hora de fazer valer direitos, brecar aberrações, com as tábuas legais da transparência em mãos. Quem desembolsou, até aqui, as verbas aplicadas no CBA, CT-PIM, e todas as verbas legalmente destinadas aos compromissos com o futuro da região? As empresas devem ser ouvidas. O repasse de verbas contingenciadas do modelo ZFM para o Programa Ciência sem Fronteiras, no limite de R$1,2 bilhão, precisa ser revertido. Até porque os alunos não recebem desde setembro os recursos de suas bolsas e as instituições-hóspedes não foram pagas. É hora do basta à naturalização deste absurdo. Com a palavra o Ministério Público Federal, acionado pelo deputado estadual Dermilson Chagas sobre as verbas do CAPDA. Que se manifeste a representação parlamentar do Estado e da Amazônia Ocidental, e demais instituições de zelo e guarda dos interesses da população, com transparência e sem fronteiras…já!

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Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal Brasil Amazônia Agora

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