Tragédia em Petrópolis: eventos extremos desafiam meteorologia e planejamento urbano

É preciso aprimorar a previsão do tempo para antecipar eventos extremos e estimar quando e onde chuvas torrenciais vão cair para evitar tragédias como a ocorrida em Petrópolis, alerta reportagem da Agência Estado publicada no Correio Braziliense.

Cada vez mais são necessárias estratégias de adaptação à vida em um clima em constante mudança. De acordo com o texto, já estão em testes tecnologias para tentar predizer tempestades, e a NASA testa ferramentas de aprendizado de máquina (machine learning) e inteligência artificial – voltada para mudanças climáticas – para prever risco de deslizamento de terra em todo o mundo. Se uma cidade souber previamente que receberá uma tempestade forte nas horas seguintes, terá tempo e condições para remover pessoas das áreas de risco e implantar estratégias de contenção de danos.

Um artigo de Nabil Bonduki, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e relator do Plano Diretor da cidade de São Paulo, destaca que, para enfrentar as causas do problema, são necessárias reformas mais estruturais como “conter a migração para as grandes aglomerações urbanas, implantar uma política fundiária radical que garanta o acesso à terra urbana adequada, realizar uma produção massiva de habitação subsidiada para os mais vulneráveis e urbanizar os assentamentos precários”.

Uma pesquisa da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (FIRJAN) mostrou que o dano direto a empresas de Petrópolis é de R$ 665 milhões, e que 11% das empresas relataram o desaparecimento ou morte de funcionários, informam O Globo e Valor Econômico. De acordo com o levantamento, as chuvas extremas impactaram 65% das empresas do município. Cerca de 85% ainda não tiveram atividades restabelecidas. A expectativa é que as empresas levem em média 13 dias para retomar totalmente suas atividades. Mas um em cada três prejudicados não sabe dizer quando isso será possível. A Folha informa ainda que comerciantes perderam equipamentos e mercadorias e relatam prejuízos de mais de R$ 100 mil enquanto dizem que estão recebendo poucas informações da prefeitura sobre eventual auxílio financeiro.

Em tempo: A prefeitura de São Paulo não planta árvores há seis meses, informa a Folha. Falta plantar pelo menos 180 mil árvores. A matéria aborda ainda um outro problema, a distribuição desigual da vegetação pela cidade. Se a “lição de casa fosse feita”, a cidade teria ruas mais arborizadas, melhor qualidade do ar, temperaturas mais equilibradas, maior umidade relativa e menos enchentes.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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