Matrizes cobram de montadoras a busca de maior descarbonização no Brasil

O governo brasileiro não está se movendo para descarbonizar a frota automotiva do país, mas as montadoras têm que fazer algum esforço para alinhar o discurso global às práticas no Brasil. Matéria do Valor de domingo (20/2) indica que pelo menos o processo de produção dos veículos e de autopeças no país terá que neutralizar suas emissões em linha com as metas das matrizes.

Automóveis são produtos feitos de um conjunto que pode variar entre 2,5 mil e 5 mil peças, o que faz com que o processo de descarbonização de sua cadeia produtiva seja extremamente complexo. Ainda assim, a maior parte das emissões da indústria automotiva vem da circulação dos produtos em si – segundo a reportagem, pode chegar a 96% do total de emissões. Ou seja, o esforço das fabricantes no Brasil é sobre uma parte residual da poluição que geram – e mesmo assim, não será tarefa fácil.

Se dependesse dos consumidores brasileiros de veículos automotivos, a descarbonização do setor seria muito mais eletrizante – mais de 60% têm intenção de comprar um carro elétrico, informa uma pesquisa encomendada pelo Itaú-Unibanco e reportada pela InsideEVs.

Mesmo com o preço elevado – a partir de R$ 160 mil – o carro elétrico continua ganhando espaço no mercado. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico, foram 2.558 emplacamentos de carros elétricos, híbridos e híbridos plug-in no país nos primeiros 30 dias do ano, alta de 93% sobre janeiro de 2021.

Entre as estratégias do setor, está a substituição dos modelos a combustão pelos elétricos e híbridos nas mesmas linhas de montagem existentes, sem a necessidade de construção de novas fábricas exclusivas para os elétricos. Seguindo esta receita, a Mercedes-Benz planeja ter unidades exclusivas para a fabricação de carros elétricos ou híbridos já em 2025.

site Click Petróleo e Gás destaca uma incerteza fundamental sobre o futuro do setor: a segurança do carregamento de bateria, com a Tesla, líder global do segmento, envolvida em incidentes perigosos, embora pontuais. Outro gargalo, segundo a matéria, é o carregamento da bateria, que pode levar de 3 a 4 horas.

Em tempo: Se a descarbonização avançasse no mesmo ritmo da especulação financeira sobre créditos de carbono, a proteção ao clima global estaria garantida. O Valor informa que os preços médios dos Créditos de Descarbonização (CBios) negociados na B3 entre produtores de biocombustíveis e distribuidores de combustível dobraram neste começo de 2022. Na quinta-feira (17/2), 1 tonelada de carbono de emissão evitada na substituição de combustíveis fósseis por biocombustíveis tinha preço médio de R$ 92,88 – quase três vezes o que valia há um ano.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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