Investimento de R$ 30 milhões pretende financiar a destinação segura de mais de 500 mil toneladas de equipamentos contaminados por PCB, composto químico usado em transmissores de energia.
O Brasil enfrenta o desafio de eliminar a bifenila policlorada (PCB), também conhecida como ascarel, substância altamente tóxica, classificada como Poluente Orgânico Persistente (POP) e banida mundialmente pela Convenção de Estocolmo. A substância foi utilizada por décadas como isolante elétrico em transmissores de energia e outros equipamentos industriais. Ela é um líquido oleoso capaz de absorver calor e inibir bactérias, mas que representa riscos graves à saúde, como câncer, distúrbios hormonais, problemas neurológicos e má-formação fetal.
Apesar de proibida, o componente ainda está presente silenciosamente em cidades de todo o Brasil, contaminando equipamentos no setor elétrico, na indústria, no comércio e até em órgãos públicos. Segundo o Inventário Nacional de PCB (Sinir/PCB), o país acumula mais de 500 mil toneladas de material contaminado, identificadas até julho de 2025.

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) anunciou investimento de R$ 30 milhões para financiar empresas licenciadas que realizem a eliminação segura. Pelo Projeto PCB Responsável, gestores e empresários encontram orientações e a lista de destinadoras autorizadas.
As empresas registradas no inventário receberão entre R$ 1,2 mil e R$ 3,2 mil por tonelada enviada para tratamento, conforme a região. O prazo para eliminação total da substância vai até 2028, mas a etapa de identificação, que deveria ser concluída até novembro de 2024, segue em atraso.
