Pesquisa indica que o aumento de apenas 1 grau na temperatura média diária pode trazer complicações na gestação e parto, agravar doenças e aumentar em 22% risco de mortalidade infantil.
Um estudo da London School of Hygiene & Tropical Medicine, apresentado na Conferência Global sobre Clima e Saúde, aponta que o aumento de apenas 1 °C na temperatura média diária pode elevar em mais de 22% o risco de mortalidade infantil. Atualmente, 1 bilhão de crianças vivem sob risco “extremamente alto” de impactos climáticos, muitas em áreas sujeitas a enchentes ou secas.

Segundo a pesquisa, crianças, gestantes e mulheres em situação de vulnerabilidade estão entre os grupos mais afetados pelo aquecimento global. No caso das grávidas, o calor intenso aumenta em mais de 50% as chances de pré-eclâmpsia e pode provocar descolamento de placenta. As mudanças fisiológicas da gestação dificultam a regulação da temperatura corporal, ampliando os riscos de desidratação, problemas cardíacos e pressão alta.
Bebês também sofrem consequências diretas, como maior incidência de internações, malformações e complicações respiratórias. Temperaturas elevadas podem aumentar os partos prematuros em até 26%, além de estarem associadas a mais casos de baixo peso ao nascer e natimortos.
Fatores como pobreza, moradias precárias e acesso limitado a serviços de saúde intensificam os riscos, especialmente em países de baixa e média renda. Eventos extremos, como enchentes e secas tem grande impacto, pois agravam a insegurança alimentar, comprometem a amamentação e favorecem a propagação de doenças transmitidas pela água.
Os pesquisadores defendem que limitar o aquecimento global a 1,5 °C até 2050 e implementar políticas públicas de proteção social são medidas urgentes para reduzir os impactos e proteger mães e crianças diante das mudanças climáticas.
