Com apoio da aceleradora Amaz, coordenada pelo Idesam, projeto de tokenização do açaí usa blockchain de forma inédita para financiar produtores e fortalecer a sociobioeconomia na floresta.
Duas startups deram início à primeira operação de tokenização do açaí no Brasil, em Igarapé-Miri (PA), polo tradicional de produção do fruto. A iniciativa arrecadou R$ 200 mil com a venda de 8 mil tokens a investidores qualificados, convertendo a safra de açaí em ativos digitais negociáveis.
A operação foi liderada pela Tribo Superfoods e estruturada financeiramente pela ForestiFi, ambas apoiadas pela Amaz Aceleradora de Impacto, programa coordenado pelo Idesam (Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia).
Cada token representa uma fração da produção de açaí. Ao investir, o retorno financeiro está atrelado ao desempenho real da cadeia produtiva. A tecnologia permite não apenas antecipar capital para produtores, como também garantir rastreabilidade e transparência desde a origem até o consumidor final — um dos pilares do modelo de tokenização do açaí.
“Existe disposição do consumidor em pagar mais por qualidade e procedência. A tokenização permite que esse valor seja distribuído de forma mais equilibrada, beneficiando quem produz e preserva a floresta”, afirma Maurício Pantoja, cofundador da Tribo Superfoods.
A operação funcionou ainda como um projeto-piloto para testar um modelo escalável de investimento em cadeias da sociobioeconomia amazônica. Um dos principais resultados foi a melhoria imediata no fluxo de caixa das cooperativas locais, com repasses feitos no mesmo dia da operação, um avanço significativo frente aos antigos prazos de pagamento, que levavam dias.
Para Leubaldo Costa, membro da cooperativa Caepim, a chegada dessa inovação representa um reforço à subsistência local. “Já produzimos com respeito à floresta. A inovação chega para fortalecer o que fazemos e abrir caminhos para uma renda mais justa”, pontua.
Segundo Gabriela Souza, gestora de operações da Amaz, a ação demonstra o papel estratégico da aceleradora como articuladora de soluções entre negócios amazônicos. A expectativa é que o modelo de tokenização do açaí se amplie para outras cadeias produtivas da região, fortalecendo a bioeconomia com impacto positivo para quem vive e preserva a floresta.