Cientistas do MIT desenvolvem nova tecnologia que pode captar água no deserto

Nova tecnologia revoluciona a forma de captação de água pela sua eficiência em baixa umidade mas também pelo baixo impacto ambiental

A escassez de água potável em regiões áridas é um desafio crescente que tem motivado cientistas a buscar soluções inovadoras. Uma nova tecnologia desenvolvida por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) promete revolucionar a captação de água ao utilizar aletas absorventes para extrair umidade do ar, mesmo em condições extremamente secas. Este avanço representa uma esperança significativa para comunidades com acesso limitado a fontes hídricas seguras.

O dispositivo, detalhado em um estudo publicado no periódico ACS Energy Letters, utiliza aletas revestidas com materiais absorventes, incluindo espumas de cobre e zeólita, um aluminossilicato cristalino. Essa combinação permite que o dispositivo capture e libere água de maneira eficiente e rápida. Em testes de prova de conceito, o protótipo, equipado com dez aletas dispostas em uma base de cobre, mostrou-se capaz de coletar um volume significativo de água potável mesmo em ambientes com umidade relativa de apenas 10%.

zeolita 1
Heap of zeolite stone on wooden background

Pode captar água no deserto e outros lugares áridos

A configuração do dispositivo foi projetada para maximizar a captura de umidade do ar. As aletas absorvem a umidade e, ao serem aquecidas, liberam a água potável. Durante os testes, as aletas conseguiram absorver a umidade do ar em apenas uma hora. Quando a base de cobre atingiu a temperatura de 184°C, a água retida foi liberada. Os resultados mostraram que o dispositivo pode produzir até 1,3 litros de água por dia em ambientes com 30% de umidade relativa, um volume consideravelmente maior do que outros dispositivos similares existentes.

Cientistas do MIT desenvolvem nova tecnologia que pode captar água no deserto
Imagem: Li et al. / ACS Energy Letters

Potencial de aplicação e sustentabilidade

Os pesquisadores enxergam um potencial significativo para o dispositivo em diversas aplicações diárias. Ele pode ser integrado a infraestruturas que produzem calor residual, como edifícios e veículos de transporte, aproveitando essa energia para operar de forma econômica e sustentável. Isso não só ajuda a fornecer água potável em regiões áridas, mas também contribui para a sustentabilidade ao utilizar fontes de energia renováveis.

dispositivoAgua Imagem Li et al. ACS Energy Letters 2 1
Imagem: Li et al. / ACS Energy Letters

Impacto da tecnologia na crise hídrica

A Terra possui trilhões de litros de água fresca na forma de vapor na atmosfera, mas a coleta desse recurso é um desafio devido à sua natureza diluída e transparente. Sistemas anteriores focaram na captura de orvalho ou névoa, mas em regiões secas, onde esses fenômenos são raros, materiais especiais como hidrogéis e zeólitas têm se mostrado eficazes. No entanto, a inovação do MIT se destaca por incorporar esses materiais em um dispositivo compacto e portátil, aumentando a praticidade e a eficiência da coleta de umidade.

A pesquisa foi promovida pela American Chemical Society (ACS), uma organização sem fins lucrativos dedicada ao avanço da química e de seus profissionais. A ACS é reconhecida globalmente por promover a excelência na educação científica e disponibilizar informações e pesquisas relacionadas à química através de suas múltiplas plataformas. Apesar de não conduzir pesquisas diretamente, a ACS facilita parcerias globais que aceleram os avanços científicos.

Futuro da captação de água

Com o desenvolvimento contínuo, espera-se que essa tecnologia de captação de umidade possa ser amplamente adotada, especialmente em regiões áridas que enfrentam escassez de água potável. A integração do dispositivo em infraestruturas existentes poderia oferecer uma solução de baixo custo e sustentável, contribuindo significativamente para a segurança hídrica e a qualidade de vida em comunidades vulneráveis.

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Pelo Brasil, por quem mais precisa

"O Brasil Amazônia Agora se coloca ao lado de...

Podres poderes: quem paga as contas de Flávio Bolsonaro e financia seus projetos

"Documentos bancários e investigações sobre bets, receitas milionárias de...

A distância entre a aldeia e a urna ameaça o voto indígena no segundo turno

Eleitores indígenas enfrentam barreiras para votar no segundo turno. MPF e MPI cobram transporte gratuito e acessibilidade.

“Um alvo no meio da testa”: o que indigenistas e servidores ambientais temem de Flávio Bolsonaro 

Relatos de assédio a servidores ambientais no governo Jair Bolsonaro geram temor de novas perseguições e restrições à fiscalização sob Flávio.