ONU alerta para década de superaquecimento global e pede metas ambiciosas na COP30

Diante do avanço do superaquecimento global, secretário-geral da ONU exige que governos apresentem metas mais ambiciosas e fortaleçam sistemas de alerta precoce.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, afirmou que o planeta está entrando em uma década crítica de superaquecimento global, com a superação inevitável do limite de 1,5 °C estabelecido no Acordo de Paris. O alerta foi feito durante discurso em Genebra, em evento que celebrou os 75 anos da Organização Meteorológica Mundial (OMM).

Secretário-geral da ONU, António Guterres, discursa sobre superaquecimento global
António Guterres durante discurso sobre a crise climática e os desafios do século. Foto: UN Photo /Pierre Albouy

Segundo Guterres, o ano de 2024 já marca um ponto de inflexão, sendo o mais quente já registrado, com temperaturas médias 1,55 °C acima dos níveis da era pré-industrial. Ele advertiu que os atuais compromissos internacionais de redução de emissões são insuficientes: cobrindo cerca de 70% das emissões globais, resultariam em uma queda de apenas 10% até 2035, quando o necessário seria ao menos 60%.

O secretário-geral enfatizou que, embora a ultrapassagem do limite seja inevitável a curto prazo, a reversão do superaquecimento global ainda é possível, desde que os países adotem medidas urgentes e ambiciosas. Ele reforçou a importância da neutralidade de carbono e convocou todos os governos a apresentarem novos planos climáticos robustos na COP30, marcada para novembro de 2025, em Belém (PA). “O aquecimento global está empurrando nosso planeta para o limite”, declarou Guterres.

Guterres também destacou a eficácia dos sistemas de alerta precoce para reduzir mortes e prejuízos em eventos extremos, como enchentes e ondas de calor. Ele defendeu a expansão da iniciativa “Alertas para Todos”, que visa alcançar cobertura global até 2027. Por fim, o líder da ONU pediu maior integridade na informação climática, criticando a desinformação e o greenwashing.

Ele reiterou o compromisso da organização com a ciência e cobrou um pacote financeiro internacional capaz de mobilizar US$ 1,3 trilhão anuais até 2035, com apoio ampliado aos países mais vulneráveis, medida essencial para mitigar os efeitos do superaquecimento global no futuro próximo.

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Enchentes e inundações se intensificam com a crise climática. Foto: Jashim Salam/WWF UK.
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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