Relatório publicado pela The Lancet mostra que o sistema alimentar global viola limites planetários, gera desigualdade e responde por 30% das emissões de gases do efeito estufa.
Um relatório publicado pela revista The Lancet indica que o sistema alimentar atual está degradando o planeta e aprofundando injustiças sociais. Segundo a Comissão EAT-Lancet, responsável pelo estudo, a forma como o mundo produz e consome alimentos é a principal causa da violação de cinco das nove fronteiras planetárias que garantem a estabilidade da Terra.
A pesquisa revela que a produção de alimentos é responsável por cerca de 30% das emissões de gases de efeito estufa e que os 30% mais ricos da população mundial causam mais de 70% dos danos ambientais relacionados à comida. Ainda assim, menos de 1% da humanidade vive em uma condição considerada “segura e justa”, em que as necessidades nutricionais são atendidas sem ultrapassar os limites ecológicos do planeta.
Apesar de a produção global de alimentos gerar calorias suficientes para todos, mais de 1 bilhão de pessoas ainda passam fome. Ao mesmo tempo, 32% dos trabalhadores do sistema alimentar não recebem um salário digno, o que evidencia a desigualdade estrutural do setor.
Para fundamentar as conclusões, a comissão reuniu 13 grupos independentes de modelagem para avaliar o impacto do sistema alimentar em cinco limites planetários críticos: clima, uso do solo, água doce, poluição por nutrientes e contaminação química. Os resultados mostram que transformar os sistemas alimentares pode reduzir as emissões globais do setor em até 50% e evitar 15 milhões de mortes prematuras por ano.
A pesquisa também aponta que a adoção da Dieta da Saúde Planetária — baseada em frutas, verduras, grãos integrais, nozes e legumes, com consumo moderado de carne e laticínios — poderia reduzir drasticamente o impacto ambiental da alimentação e melhorar a saúde pública global.
O relatório, que contou com a participação de pesquisadores da USP, como Carlos Monteiro e Leandro Cacau, propõe um plano de ação internacional para transformar os sistemas alimentares de forma justa, saudável e sustentável. Para os cientistas, garantir um futuro seguro depende de um pacto global capaz de equilibrar as necessidades humanas com os limites do planeta.