Conheça as serpentes da Amazônia e como seu veneno ajuda a salvar vidas

Espécies que controlam pragas e sustentam ecossistemas também inspiram medicamentos: entenda como as serpentes da Amazônia conectam biodiversidade, ciência e saúde pública.

A Amazônia brasileira concentra uma das maiores diversidades de serpentes do planeta, reunindo cerca de 189 espécies registradas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Nesse cenário, marcado pelo avanço urbano sobre áreas naturais, as serpentes da Amazônia assumem um papel ambíguo: ao mesmo tempo em que representam risco à saúde pública, também são essenciais para o equilíbrio ecológico e para avanços científicos.

Entre as maiores espécies de serpentes da Amazônia estão as jiboias e as sucuris, pertencentes à família Boidae. Diferentemente do que muitos imaginam, essas serpentes não possuem veneno. Elas capturam suas presas por constrição, utilizando a força muscular. Apesar do tamanho, que pode ultrapassar vários metros, essas serpentes da Amazônia raramente oferecem perigo direto aos humanos em ambientes naturais.

Jiboia Boa constrictor imperator, uma das serpentes da Amazônia não peçonhentas, em ambiente natural
A jiboia Boa constrictor imperator é uma das serpentes da Amazônia que não possuem veneno e utilizam a constrição para capturar suas presas. Foto: Natalia Kuzmina / Shutterstock.com

Riscos e importância para a medicina

Já os acidentes ofídicos de maior gravidade estão associados a serpentes peçonhentas específicas, classificadas como de interesse médico. No Brasil, as jararacas (Bothrops) lideram esse cenário, sendo responsáveis por cerca de 87% das ocorrências. Adaptáveis, elas ocupam inclusive áreas alteradas pela presença humana.

Outras espécies também exigem atenção. A surucucu-pico-de-jaca (Lachesis muta), maior serpente venenosa das Américas, habita principalmente florestas densas. As cascavéis (Crotalus), identificadas pelo chocalho, apresentam alto potencial letal e são associadas a maior número de óbitos. Já as corais-verdadeiras (Micrurus), embora possuam veneno altamente potente, causam poucos acidentes devido ao comportamento discreto.

Cobra coral, uma das serpentes da Amazônia com veneno neurotóxico potente, em ambiente natural
A cobra coral está entre as serpentes da Amazônia mais venenosas, com toxina potente, embora acidentes sejam raros devido ao comportamento discreto. Foto: Divulgação Instituto Butantan

Apesar dos riscos, o veneno dessas serpentes tem contribuído para avanços importantes na medicina. Compostos extraídos de jararacas, por exemplo, foram fundamentais no desenvolvimento de medicamentos para controle da hipertensão, como o captopril. Pesquisas recentes também exploram o uso dessas substâncias na criação de materiais para regeneração de tecidos e cicatrização, especialmente em pacientes com doenças crônicas, evidenciando o valor científico das serpentes da Amazônia.

Especialistas destacam que a convivência segura com esses animais passa por medidas simples de prevenção. A manutenção de ambientes limpos, sem acúmulo de lixo ou entulho, reduz a presença de roedores, principais presas das serpentes, e consequentemente, a aproximação desses répteis das residências.

O que fazer em caso de acidente?

Em caso de picada, a orientação é lavar o local com água e sabão e buscar atendimento médico imediato. Procedimentos como torniquetes, cortes ou sucção devem ser evitados, pois podem agravar o quadro clínico. Sempre que possível, a identificação da espécie auxilia na escolha do soro adequado.

Mais do que animais temidos, as serpentes da Amazônia desempenham função estratégica no controle de pragas e na manutenção dos ecossistemas. Além de representar uma fonte valiosa para a pesquisa científica.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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