Secretário-geral da ONU afirma que Amazônia corre risco de savanização

António Guterres alerta que aumento de 1,5°C pode colapsar a Amazônia e afetar o clima global. O secretário-geral da ONU cobra ação imediata dos países às vésperas da COP30.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que a Amazônia corre risco de se transformar em savana caso não haja mudanças drásticas nas políticas ambientais globais. A declaração foi feita ao jornal The Guardian, em meio aos preparativos para a COP30, que acontecerá em Belém (PA) em novembro.

Segundo o secretário-geral da ONU, os compromissos assumidos pelos países atualmente, as chamadas NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas), estão longe de serem suficientes. Enquanto o ideal seria reduzir as emissões em 60%, os planos atuais indicam uma diminuição de apenas 10%. “Não queremos ver a Amazônia como savana. Mas isso é um risco real se não mudarmos de rumo para reduzir drasticamente as emissões”, disse.

Vista aérea de floresta amazônica com áreas verdes e trechos desmatados. A savanização da Amazônia é uma ameaça real, segundo o secretário-geral da ONU, caso o aumento de temperatura global ultrapasse 1,5°C.
A savanização da Amazônia é uma ameaça real, segundo o secretário-geral da ONU, caso o aumento de temperatura global ultrapasse 1,5°C. Foto: Marizilda Grupp/Greenpeace.

Para Guterres, esse cenário compromete a meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C. O secretário-geral da ONU afirma que o fracasso em conter esse aumento de temperatura trará impactos devastadores não apenas para a Amazônia, mas para o mundo todo. 

Apesar do cenário alarmante, Guterres defende que ainda é possível reverter essa trajetória, desde que os países acelerem seus planos de neutralidade de carbono e garantam a participação efetiva dos povos indígenas nos debates da COP30. 

Secretário-geral da ONU, António Guterres, discursa sobre superaquecimento global
António Guterres durante discurso sobre a crise climática e os desafios do século. Foto: UN Photo /Pierre Albouy

Ele destacou que as comunidades tradicionais são aliadas centrais na preservação ambiental e devem ter voz ativa nas negociações climáticas. “Essa precisa ser a COP da verdade. É essencial ouvir as comunidades indígenas, que protegem a natureza e ajudam a conter as mudanças climáticas”, concluiu.

Para Guterres, o papel da Amazônia é decisivo no equilíbrio climático do planeta. Evitar pontos de não retorno, segundo ele, é crucial para impedir o colapso do bioma e as consequências globais que esse fenômeno provocaria.

Território Yanomami com floresta preservada destaca o papel das comunidades na captura de carbono na Amazônia.
Terras Indígenas como a Yanomami concentram algumas das áreas mais preservadas do bioma e são essenciais para manter a captura de carbono na Amazônia. Terra Indígena Pirititi, Roraima. Foto: Felipe Werneck/Ibama.
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

Artigos Relacionados

Eleições 2026: Conheça as propostas dos candidatos à presidência

Eleições 2026: compare as propostas de Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury e Ronaldo Caiado para meio ambiente, clima e transição energética.

O BRASIL PRECISA SE PREPARAR PARA O PIOR

“Relatório da Abin aponta nível crítico de pressão dos...

A fumaça chegou antes da prevenção

"O Amazonas conhecia o calendário do fogo, os municípios...

A vida pede passagem

Na Semana Nacional de Trânsito, o BAA adere à...

O clima fora da campanha, a conta dentro de casa

Enquanto a eleição se ocupa do próximo mandato, o El Niño, o desmatamento e os eventos extremos já cobram do país uma fatura bilionária em alimentos, saúde, transporte, energia, educação e infraestrutura