Rumo à COP26: como Glasgow pode (ou não) mudar a ação climática global

Quem acompanha as negociações internacionais sobre o clima sabe que uma COP pode ter impacto significativo nos esforços globais contra a mudança do clima – tanto pelo lado bom, com mais ambição e ações, como pelo lado ruim, com tropeços e retrocessos. Com a gravidade crescente da crise climática, observadores e analistas tendem a enxergar cada COP com um grau adicional de importância, o que obviamente joga para cima expectativas e aumenta a ansiedade em torno dos resultados da Conferência.

Para não cair no cinismo absoluto ou no desespero profundo, o caminho para enxergar e entender a próxima COP está no realismo honesto. Como a Economist destacou nesta semana, seja qual for o resultado desta COP26 em particular, haverá motivos para celebração e para lamentação, e isso precisa ficar claro desde o começo para evitar frustrações desnecessárias e traumáticas. Com isso em mente, será mais fácil entender as possibilidades reais de sucesso da Conferência e perceber mais claramente os principais obstáculos para a ação climática global.

Outro ponto é entender que a COP é um momento importante, mas não o único. As grandes transformações políticas, econômicas, sociais e tecnológicas necessárias para conter a crise climática não aparecerão nas salas de negociação em Glasgow, mas sim mundo afora, do nível local até o global. Certamente, uma COP26 bem-sucedida poderá tornar esse caminho mais fácil; mas o sucesso dela sozinha não vai nos garantir rigorosamente nada. A saída está no que faremos com e a partir dos resultados dela.

Em tempo: Um dos pontos que podem ser facilitados pelos resultados desta COP é o do mercado internacional de carbono, a partir do artigo 6 do Acordo de Paris. Esse é um dos itens mais importantes na agenda de negociação em Glasgow. Não à toa, governos, empresas e imprensa estão prestando bastante atenção nessa discussão, destacando principalmente o potencial de ganho para o Brasil com a comercialização de créditos de carbono no exterior. Essa análise é pertinente, mas o debate sobre os mercados de carbono não pode ser separado do motivo pelo qual ele está sendo criado – para ajudar na redução das emissões de carbono e conter o aquecimento do planeta e seus efeitos negativos sobre o clima. No fundo disso tudo, estamos falando das condições de vida de comunidades e países vulneráveis à mudança do clima, que sentem na pele esses efeitos de maneira cada vez mais intensa.

“Falar de precificação de carbono e de descarbonização da economia é falar de mudar o modelo econômico global justamente para evitar que países afundem ou sejam destruídos por ciclones e tufões”, escreveu Caroline Prolo no Valor Investe. “A história de como vamos superar a mudança do clima é também a história da prevalência do espírito cooperativo sobre o individual”.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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