Com mais de 180 organizações, a rede Araticum impulsiona a restauração do Cerrado e pretende recuperar 2 milhões de hectares do bioma até 2030.
A Articulação pela Restauração do Cerrado (Araticum) foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas como uma das principais iniciativas mundiais de recuperação de ecossistemas degradados. A rede brasileira recebeu, na quarta-feira (26), o título de World Restoration Flagship durante a COP17 de Combate à Desertificação, realizada na Mongólia.
Concedido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o reconhecimento integra a Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas. Projetos desenvolvidos no Sahel, na África, e na Arábia Saudita também foram premiados.
Criada em 2020, a Araticum acompanha atualmente ações em 27 mil hectares e tem como meta promover a restauração do Cerrado em 2 milhões de hectares até 2030. A rede atua no Distrito Federal e em dez estados: Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Piauí, São Paulo e Tocantins.
Mais de 180 organizações participam da articulação, que conecta povos indígenas, comunidades quilombolas e tradicionais, agricultores, pesquisadores, empresas, órgãos governamentais e entidades da sociedade civil. A restauração do Cerrado ocorre por meio de estratégias como regeneração natural, semeadura direta, recuperação ecológica e implantação de sistemas agroflorestais com espécies nativas.
Para a coordenadora da Araticum e coletora de sementes da Geraizeira, Fabrícia Santarém, “restaurar o Cerrado significa cuidar do nosso clima, da nossa água e do nosso futuro”. Segundo ela, o reconhecimento reforça a importância de direcionar recursos à recuperação de florestas, savanas e campos nativos.
Projetos recuperam terras na África e na Arábia Saudita
Outra iniciativa reconhecida pela ONU atua em Burkina Faso, Chade, Mali, Mauritânia e Níger. Liderado pelo Programa Mundial de Alimentos, o projeto combina recuperação do solo, gestão da água, geração de renda e alimentação escolar. Até junho de 2026, mais de 335 mil hectares haviam sido restaurados, beneficiando cerca de 4 milhões de pessoas. A meta é alcançar 470 mil hectares até 2030.
Na Arábia Saudita, o Programa Nacional de Arborização tem como objetivo recuperar 2,5 milhões de hectares e plantar 215 milhões de árvores até 2030. As ações abrangem pastagens, florestas, desertos, cidades, áreas costeiras e manguezais. A previsão é criar até 187 mil empregos e contribuir para melhorar a qualidade do ar nos centros urbanos.