Recuperação de terras degradadas no Cerrado pode injetar R$ 3,4 bilhões no país

Com milhões de hectares improdutivos, a recuperação de terras degradadas no Cerrado surge como solução de baixo custo para frear perdas econômicas e ambientais.

A restauração de áreas improdutivas no Cerrado brasileiro desponta como estratégia capaz de unir ganhos ambientais e dinamização econômica. Segundo estudo divulgado pelo Instituto ClimaInfo, com apoio do Observatório do Clima e do GT Infraestrutura, a recuperação de terras degradadas no Cerrado pode adicionar R$ 3,4 bilhões à economia regional até 2030, caso 6,5 milhões de hectares de pastagens sejam restaurados.

O potencial é significativo diante da dimensão do passivo ambiental. O Brasil possui entre 160 e 180 milhões de hectares ocupados por pastagens, dos quais 32% se encontram no Cerrado. Segundo a Embrapa, a perda de produtividade gera prejuízos anuais estimados em R$ 7 bilhões aos produtores e reduz o valor das propriedades, áreas com baixa capacidade produtiva podem valer até metade do preço de fazendas bem manejadas.

Nesse contexto, a recuperação de terras degradadas no Cerrado surge como alternativa para elevar a renda rural sem ampliar a fronteira agrícola.

Pasto com gado em área de solo degradado no Cerrado, evidenciando a necessidade de recuperação de terras degradadas no Cerrado.
Área com pastagem degradada no Cerrado mostra os impactos da baixa produtividade e da erosão do solo. A recuperação de terras degradadas no Cerrado é estratégica para reduzir prejuízos e evitar novos desmatamentos. Foto: Projeto ABC Capacitação

Os impactos ambientais da degradação também são expressivos. A deterioração das pastagens favorece erosão, compactação do solo, assoreamento de rios e rebaixamento do lençol freático. Ao restaurar áreas já abertas, reduz-se a pressão por novos desmatamentos e amplia-se a oferta de terras aptas de forma sustentável.

O investimento necessário para recuperar os 6,5 milhões de hectares é estimado em R$ 9,5 bilhões até 2030, cerca de 1,8% dos recursos destinados ao Plano Safra 2025/2026. Parte desses valores pode ser mobilizada por instrumentos existentes, como o Plano ABC (Agricultura de Baixo Carbono) e linhas de crédito do BNDES voltadas à regularização ambiental e à adoção de práticas resilientes.

A recuperação de terras degradadas no Cerrado pode contribuir para reduzir a demanda por abertura de novas áreas, diminuir os impactos ecológicos do agronegócio e gerar empregos nas regiões produtoras. 

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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