Groenlândia e Antártida perderam gelo suficiente para cobrir o Brasil com 1,5 m de água

Monitoramento por satélite detalha como a perda de gelo na Groenlândia e Antártica avançou desde 1979, impulsionada sobretudo pelo aquecimento das águas oceânicas.

A Groenlândia e a Antártica perderam cerca de 12 trilhões de toneladas de gelo desde 1979, segundo dados analisados por imagens de satélite. O volume, segundo estudo publicado na revista Scientific Data, seria capaz de cobrir quase todo o território brasileiro com uma lâmina de água de 1,5 metro de altura.

A pesquisa reúne imagens de satélite para produzir uma estimativa inédita sobre a perda de gelo na Groenlândia e Antártica ao longo de quase cinco décadas. O derretimento, equivalente a aproximadamente 11,3 quatrilhões de litros de água, contribuiu para elevar o nível médio dos oceanos em cerca de 3,1 centímetros desde o fim dos anos 1970.

Os cientistas apontam que 83% da perda de gelo na Groenlândia e Antártica está relacionada ao aquecimento das águas oceânicas, que desgastam o gelo por baixo e pelas bordas. Além do derretimento na superfície, geleiras têm escoado com maior velocidade em direção ao mar, ampliando a transferência de gelo para os oceanos.

“Há uma tendência clara de perda de massa das calotas polares, e isso vem aumentando década após década, especialmente se considerarmos o gelo que é liberado no oceano. E isso deixa bem claro que há uma ligação com as mudanças climáticas”, afirmou Ines Otosaka, especialista em gelo da Universidade de Northumbria, no Reino Unido, e autora principal do estudo, à agência AP.

Os registros indicam que a perda de gelo na Groenlândia e Antártica ganhou força a partir dos anos 2010, período marcado por sucessivos recordes de temperatura na atmosfera e nos oceanos. Entre 2020 e 2023, os dados sugerem uma estabilização temporária, mas os autores alertam que o intervalo reflete oscilações climáticas de curto prazo e não altera a trajetória observada no longo prazo.

Para Otosaka, o acompanhamento por satélite ajuda a identificar a aceleração do processo. “O que é realmente interessante é que podemos ver uma tendência de longo prazo de que as geleiras estão fluindo mais rapidamente e, portanto, há cada vez mais derretimento de gelo”, afirmou ao Gizmodo.

A continuidade da perda de gelo na Groenlândia e Antártica acentua os riscos da crise climática para populações costeiras, ecossistemas marinhos e países vulneráveis à elevação do nível do mar.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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