Recuperar pastos degradados para plantar soja pode custar R$ 482 bilhões – mas traz retorno ambiental

O uso dos pastos degradados para cultivos como a soja representa uma oportunidade importante de expandir a produção agropecuária brasileira sem desmatamento de novas áreas

A conversão de pastos degradados com aptidão agrícola em áreas de cultivo no Brasil exigirá um investimento estimado em R$ 482,6 bilhões, segundo estudo do Itaú BBA. O valor corresponde aproximadamente ao total do Plano Safra, principal política de financiamento anual da produção agropecuária brasileira.

Esse montante seria necessário caso todas essas áreas fossem convertidas para o cultivo de soja, uma das principais commodities do país. Embora não se preveja a aplicação integral desse volume de recursos em um único ano, o cálculo destaca o desafio de intensificar a produção sem recorrer à derrubada de vegetação nativa, uma demanda crescente diante das pressões ambientais e compromissos climáticos.

Recuperar pastos degradados para plantar soja pode custar R$ 482 bilhões, aponta estudo.
Recuperar pastos degradados para plantar soja pode custar R$ 482 bilhões, aponta estudo | Foto: Alex Melotto/Divulgação

“Seria uma enorme oportunidade para o agro capitalizar em cima de uma demanda [por grãos] que vai crescer, produzindo com sustentabilidade e evitando uma emissão colossal de carbono, usando o próprio território”, afirmou Cesar de Castro Alves, gerente de consultoria agro do Itaú BBA.

Potencial e custos

O estudo usou como base dados da Embrapa, que aponta que o Brasil possui cerca de 28 milhões de hectares de pastagens com degradação intermediária a severa que poderiam ser convertidas em áreas agrícolas.

Para estimar os custos dessa conversão, o banco utilizou sua experiência com o Programa Reverte, desenvolvido em parceria com a Syngenta e a The Nature Conservancy (TNC), focado no Cerrado. O custo médio de conversão de pastagens com degradação intermediária foi de R$ 16.904 por hectare. Já para pastos degradados em grau severo, o custo sobe para R$ 17.784 por hectare. Essa diferença se deve principalmente à maior necessidade de correção do solo com calagem e adubação, além de práticas mais intensivas de manejo para reabilitar a área.

Recuperar pastos degradados para plantar soja pode custar R$ 482 bilhões - mas traz retorno ambiental.
Recuperar pastos degradados para plantar soja pode custar R$ 482 bilhões – mas traz retorno ambiental | Foto: Nilo D’Avila/Greenpeace

O Itaú BBA trabalhou com a premissa de que todas as pastagens degradadas seriam transformadas em lavouras de grãos, mas o próprio banco observa que a conversão de pastos pode se dar também para outros tipos de cultivos. “A diversificação melhora a infiltração de água nos solos e aumenta a resiliência às mudanças climáticas”, aponta Julia Mangueira, diretora de conservação para o Cerrado da TNC.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

Artigos Relacionados

A Amazônia no limite invisível do carbono – Entrevista com Niro Higuchi

Entre a ciência e a incerteza, os sinais de que a floresta pode estar deixando de ser aliada do clima exigem mais do que medições: exigem discernimento político.

Compostos de copaíba-vermelha inibem entrada e replicação do coronavírus, diz estudo

Estudo revela que compostos da copaíba-vermelha inibem o coronavírus e reforçam o potencial da biodiversidade brasileira.

Para além de vinhos e queijos: a Amazônia no redesenho do comércio global

O Brasil deixa de ser apenas uma oportunidade conjuntural...