Que vivam as Instituições!

O momento de convulsão política, insegurança econômica e expectativa de atuação institucional, não pode nos surpreender nem imobilizar. Ele é inerente à história universal do movimento que descreve a luta constante entre o Logos da razão e da reflexão – que a consciência examina – e o Caos, a tradução do absurdo, do niilismo e da contravenção, que a ele se contrapõe. Não há anjos nem demônios na Physis original, não somos do Bem nem do Mal, diz o relato dos pensadores pré-socráticos, apenas somos… e não há distinção entre sujeito e objeto quando se trata de descrever a totalidade. Physis significa, no contexto da imersão de tudo no todo, o conjunto das coisas naturais que existem, incluindo a consciência humana. “Tudo o que Maria diz sobre João, ajuda mais a entender quem é Maria e menos quem é o Joao”, diz a Psiquiatria do saber popular. Estamos, pois, imersos na Physis, e a palavra também significa origem. Como os gregos da época consideravam que tudo o que existe é natural, Physis significa a interação de todas as coisas, e “o problema da physis” é a pergunta sobre a origem e a constituição de todas as coisas que existem, daí o papel do Logos, que designa a negação do Caos, e representa a razão, a linguagem, a palavra, ou seja, o pensamento que busca compreender a Physis. E Logos é também razão universal e permanente, que ordena e organiza todas as coisas particulares e transitórias; o Logos, neste sentido, é um princípio cosmológico – teológico? – ou seja de compreensão do universo, do sentido da existência. Toda essa declaração filosófica se presta a refletir sobre o papel, o dever de casa de cada um, e ajudar a declinar algumas premissas, identificar parceiros e interações, e integrar o Logos da razão ordenadora na Physis onde estamos mergulhados. Referimo-nos, principalmente, as instituições do Estado de Direito, que nos custou tantas vidas para resgatar. Que elas funcionem, no macro e micro-cosmo de relações, incluindo as entidades representativas das categorias sociais, com transparência e aderência universal onde nos situamos. À luta!

Debates Produtivos

E, e se tratando dos deveres de casa, cabe reportar os recentes, que mobilizaram a confraria dos destemidos, com a realização dos DEBATES PRODUTIVOS, cuja primeira edição se deu em setembro último, na Afeam, agência estadual de fomento, promotora e inspiradora da iniciativa, em conjunto com as entidades da indústria e da agricultura, CIEAM, FIEAM e FAEA. Na discussão e encaminhamento de negócios, pesquisas e oportunidades da Castanha: a cosmética, os nutracêuticos e fitoterápicos. Aqui, neste espaço, cumpre relatar os primeiros frutos institucionais da reunião, há outros, descrevendo o ensaio da partilha necessária, a partir do qual se misturam a energia e as utopias da meta comum. Seguindo a adoção de um conceito bem sucedido de partilha, que ordena a troca e utilização da informação, intuições e descobertas entre os parceiros, foi criada a REDE CASTANHA, pela Secretaria Executiva de Ciência, Tecnologia e Inovação, SEPLAN-CTI, Estevão Monteiro de Paula na batuta, que prepara a instalação do Programa Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, sobre a Castanha do Brasil, a Bertholletia Excelsa, com as seguintes abordagens e subdivisões temáticas:

  1. EIXO: QUÍMICA E BIOQUÍMICA DA CASTANHA

Sobre elementos químicos, princípios ativos, nutrição e saúde, toxicidade, química de produtos naturais, fitofármacos e biotecnologia. Este tema vai desenvolver as seguintes linhas de investigação: “Prospecção química e isolamento de princípios antimaláricos a partir de resíduos provenientes de processos industriais baseados na castanha-do-Brasil.”; Caracterização da composição química das castanhas principalmente quanto a micronutrientes (minerais) com ênfase no Selênio;   Avaliação Bioquímica de Indivíduos quanto ao status de Selênio (eventualmente suplementados com castanhas-do-brasil), avaliação de diferentes populações do Amazonas (ribeirinhas, cidades etc..); Avaliação de toxicidade em ensaios com animais. Caracterização dos teores de Selênio e Bário em Populações Naturais de Castanha-do-Brasil, (Bertholletia excelsa), no Amazonas; Impacto da ingestão de castanha-do-Brasil por meio de biomarcadores para aflatoxina; Avaliação dos produtos derivados da castanha-do-Brasil e a contaminação por aflatoxinas; Estudo das potencialidades da castanha do Brasil: Produtos e efeito na metabolômica nutricional em ratos.

  1. EIXO: MANEJO, ECOLOGIA E GENÉTICA DA CASTANHA:

Sobre melhoramento vegetal, serviços ambientais, mudas e sementes, cultura de tecido vegetal, mapeamento das ocorrências (biogeografia), bancos de germoplasma, manejo dos castanhais. São essas as linhas de pesquisa e desenvolvimento: Produção de mudas de Bertholletia excelsa (Castanha-do-Brasil) através da técnica de cultura de tecidos; Pesquisa e desenvolvimento em melhoramento e manejo de castanheira nativa e plantada para produção de frutos e madeira; Serviços ambientais e a Castanheira-do-Brasil.

  1. EIXO: TECNOLOGIA, PROCESSAMENTO E INDUSTRIALIZAÇÃO DAS CASTANHA:

Sobre a avaliação tecnológica, beneficiamento, processamento da castanha, processamento do óleo, biotecnologia. As linhas de Pesquisa & Desenvolvimento são: Avaliação tecnológica da castanha-do-Brasil (Bertholletia excelsa) como matéria-prima para fabricação de produtos industriais. Processo enzimático para a preparação de ésteres de ácidos graxos a partir do óleo de castanha do Brasil (Bertholletia excelsa).

  1. EIXO: ECONOMIA E NEGÓCIOS DA CASTANHA:

Sobre arranjos produtivos locais, cadeia extrativista, negócios de base comunitária, marketing, sistemas econômicos, economia verde, crédito de carbono. São essas as linhas gerais de P&D: NEO Extrativismo: desenvolvendo estratégias inovadoras para modernização da cadeia extrativa de castanha do Brasil na fase de coleta no Estado do Amazonas; Alternativa a autoclavagem na castanha: novos procedimentos tecnológicos para o beneficiamento de castanha em amêndoa desidratada e outros subprodutos em empreendimentos de base comunitária; Consolidando negócios de base comunitária: superando as barreiras da formalização econômica.

Produção de Alimentos

A teimosia institucional deve continuar. Até porque não existem dados precisos sobre a evasão de recursos do Estado para a compra de alimentos em outras praças. De acordo com determinados indicadores, o Amazonas produz menos de 10% daquilo que consome. Nada contra essa relação desequilibrada de economia no setor de alimentos. Este é mais um dos bons ganhos do modelo ZFM no enfrentamento das desigualdades regionais deste país continental. Rondônia e Roraima se credenciaram em setores econômicos a partir do mercado consumidor Amazonense. Este descompasso local, de concentrar economia e descuidar da agronomia, apenas descreve as deformações de um modelo que concentra na capital a atividade produtiva em 90% da renda estadual, com ênfase destacada no setor industrial e que tem inibido a geração de emprego e renda no interior, afinal os incentivos se delimitam, basicamente, na área urbana de Manaus. O Distrito Agropecuário da Suframa, item essencial da configuração integrada e original do modelo ZFM está entregue a própria sorte. Os mais de 100 mil trabalhadores do polo industrial, os 600 mil indiretos e a população Manauara, consomem frango de Santa Catarina, cheiro verde do Ceará e tomate do Ceasa paulistano, num preço elevado, condições precárias de conservação, que comprometem a segurança alimentar da população e desequilibram as finanças. Este desafio, portanto, será o tema do próximo DEBATE PRODUTIVO, na sede do CIEAM, dia 11, na próxima sexta-feira, sob a tutela da AFEAM, FAEA, FIEAM e CIEAM, sob a batuta tecnológica da SEPLAN-CTI, com apoio dos demais parceiros públicos e privados de sempre.

Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. 
Editor responsável: Alfredo MR Lopes. [email protected]
Alfredo Lopes
Alfredo Lopes
Alfredo é filósofo, escritor e editor-geral do portal Brasil Amazônia Agora

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