Nova fase da política climática dos EUA corta pesquisa científica, flexibiliza regras ambientais e retira o país de acordos globais, com impactos no mercado de carbono e na governança climática internacional.
A política climática dos EUA entrou em uma nova fase de inflexão em 2026, devido aos direcionamentos do governo de Donald Trump. Sob o argumento de reduzir custos, fortalecer a competitividade industrial e priorizar o preço da energia para o consumidor, o país se posiciona a favor de petróleo e gás, ao mesmo tempo em que revisa compromissos multilaterais e regulações ambientais internas.
Em janeiro, os Estados Unidos formalizaram nova retirada do Acordo de Paris e anunciaram a saída da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), medida considerada mais profunda do que a decisão adotada no primeiro mandato de Donald Trump.
O memorando presidencial, de 7 de janeiro de 2026, determinou a revisão ou o desligamento dos EUA de 66 organismos internacionais, incluindo instâncias ligadas à ONU e ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Com isso, cientistas ligados ao governo deixam de contribuir oficialmente com relatórios que orientam decisões globais sobre o clima. A mudança marca um dos movimentos mais incisivos da política climática dos EUA nas últimas décadas e coloca o país fora do principal fórum multilateral sobre o tema.
Internamente, o Escritório de Gestão e Orçamento, sob liderança de Russell Vought, propôs cortes significativos em pesquisa ambiental. Projetos da NOAA e da NASA voltados à observação da Terra enfrentam redução de recursos, enquanto a National Science Foundation pode ter retração expressiva em programas de energia limpa. Conteúdos federais sobre justiça ambiental e avaliações climáticas também foram removidos de páginas oficiais, sob justificativa de revisão técnica, uma sinalização adicional da reorientação da política climática dos EUA.
Na área regulatória, a EPA, comandada por Lee Zeldin, iniciou processo para enfraquecer a chamada “Good Neighbor Rule”, que obriga estados a conter emissões que afetam territórios vizinhos. A agência também sinalizou flexibilização de padrões de partículas finas e adiamento de exigências relacionadas a PFAS, os chamados químicos eternos, ampliando a autonomia estadual em nome do “federalismo cooperativo”.
Em conjunto, o Departamento de Energia, liderado por Chris Wright, e o Departamento do Interior, sob Doug Burgum, impulsionam o programa de expansão da produção fóssil. Proteções ambientais no Alasca foram revistas para liberar áreas à exploração, enquanto projetos de eólica offshore sofreram suspensão temporária. Estimativas indicam que, após anos de queda, as emissões norte-americanas voltaram a subir em 2025 e 2026, consolidando uma consequência drástica das mudanças estruturais na política climática dos EUA.