Mercado de baterias para energia verde cresce e atrai investimentos globais ao Brasil

Com o crescimento acelerado do mercado, as baterias emergem como peça-chave para integrar renováveis, reduzir emissões e fortalecer a infraestrutura energética no Brasil.

O armazenamento de energia por baterias deixou de ser aposta futura e passou a ocupar posição estratégica no setor elétrico brasileiro. Projeções da consultoria Clean Energy Latin America (CELA) indicam que o volume de sistemas BESS comercializados no Brasil em 2025 foi de cerca de 1,9 GWh, salto relevante frente a 2024. O valor de mercado também avançou de forma expressiva, ultrapassando R$ 2,2 bilhões.

O avanço é impulsionado pela maior presença de fontes intermitentes, como solar e eólica, e pela queda gradual nos custos das baterias de íon-lítio. Na América Latina, além da expansão das energias renováveis, cresce a eletrificação do transporte e a necessidade de dar estabilidade a redes elétricas mais complexas.

Sistema UBESS de armazenamento de energia com baterias instalado em infraestrutura industrial no Brasil.
Sistema UBESS utiliza baterias para armazenar energia e garantir estabilidade à rede elétrica, ampliando a eficiência e a segurança no fornecimento. Foto: UCB Power

No Brasil, o tema ganha expectativa crescente com o primeiro leilão federal voltado a sistemas de armazenamento de grande porte, previsto para abril, que atrairá empresas nacionais, globais e grupos asiáticos já ativos no setor elétrico do país. Dados do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) mostram que projetos de energia concentraram 45% dos investimentos chineses no país entre 2007 e 2024. A disputa tende a envolver gigantes internacionais e companhias brasileiras interessadas em diversificar seus portfólios no campo da transição energética.

Paralelamente, o mercado B2B se fortalece. Indústrias adotam baterias para reduzir picos de consumo e proteger processos sensíveis, enquanto a presença de data centers no Brasil aumenta e amplia a busca por soluções capazes de garantir operação contínua com menor pegada de carbono.

Há ainda nichos pouco explorados, como o uso de armazenamento em regiões de fronteira para reforçar a segurança energética regional e a eletrificação de frotas fluviais e pesadas na Amazônia. Nesse contexto, empresas com presença industrial no país e longa experiência em regiões isoladas, como a UCB Power, sinalizam o potencial do Brasil como base de desenvolvimento de soluções adaptadas a climas tropicais.

Combinando as fontes hidrelétricas, solar, eólica, os biocombustíveis e as novas tecnologias de armazenamento, o país se posiciona como laboratório de modelos energéticos híbridos, capazes de atender tanto à demanda interna quanto a mercados emergentes com desafios semelhantes ligados à transição energética.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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