Governo Trump retira EUA de tratados climáticos da ONU e amplia isolamento e negacionismo

Trump acelera o desmonte ambiental nos EUA ao ordenar saída de 66 instituições climáticas; especialistas alertam para retrocesso geopolítico e impactos econômicos estratégicos.

Os Estados Unidos anunciaram oficialmente sua saída de 66 organizações internacionais voltadas à cooperação ambiental e climática, incluindo a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), pilar dos acordos climáticos globais desde 1992. A decisão, liderada pelo presidente Donald Trump, foi formalizada por meio de um memorando presidencial divulgado pela Casa Branca, alegando que os fóruns abandonados já não representariam os interesses nacionais.

Entre os órgãos afetados estão instituições-chave como o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA) e iniciativas como a Aliança Solar Internacional e o pacto 24/7 Carbon-Free Energy Compact. O governo também se ausentou da COP30, realizada em novembro de 2025 em Belém.

A medida gerou forte repercussão entre cientistas, autoridades estrangeiras e organizações ambientais. Gina McCarthy, ex-assessora climática do governo Biden, classificou a ação como “míope e constrangedora”. Já o ex-vice-presidente Al Gore acusou a gestão Trump de sabotar deliberadamente os avanços ambientais em favor dos lucros de bilionários ligados aos combustíveis fósseis.

Trump acelera o desmonte ambiental nos EUA ao ordenar saída de 66 instituições climáticas; especialistas alertam para retrocesso geopolítico e impactos econômicos estratégicos.
foto: Igor Omilaev/Unsplash

Especialistas alertam que a saída enfraquece a governança climática internacional em um momento crítico, marcado por eventos extremos cada vez mais frequentes, como secas severas, enchentes e incêndios. O comissário europeu para o Clima, Wopke Hoekstra, lamentou a decisão, lembrando que os Estados Unidos são a maior economia global e o segundo maior emissor de gases do efeito estufa.

Organizações como o Environmental Defense Fund alertaram que o país pode perder espaço em decisões estratégicas e competitividade nos setores de energia limpa. Analistas também levantam dúvidas jurídicas sobre a legalidade da retirada da UNFCCC, uma vez que o tratado foi ratificado pelo Senado americano, o que pode impedir uma saída unilateral.

A medida faz parte de uma reavaliação mais ampla da política externa dos EUA, comandada pelo secretário de Estado Marco Rubio, que acusa os organismos multilaterais de estarem “dominados por ideologia progressista”. Para especialistas, a política de Trump representa um retrocesso em décadas de liderança climática e cooperação global.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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