Polícia Federal diz que “remanescentes humanos” passarão por perícia em Brasília

Superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Eduardo Alexandre Fontes, afirmou, na noite desta quarta-feira (15), que será necessária perícia para confirmar se os “remanescentes humanos” encontrados no Amazonas são do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips.

O material foi encontrado a 3,1 quilômetros do local onde estavam os pertences dos desaparecidos, e será enviado ao Instituto de Criminalística da Polícia Federal, em Brasília.

De acordo com o delegado Eduardo Fontes, Amarildo da Costa Oliveira, o Pelado, resolveu confessar, na noite de terça-feira (14) que Bruno e Dom estavam mortos. Ele narrou com detalhes o que aconteceu e se comprometeu a apontar o local onde havia enterrado os corpos.

Na manhã desta quarta-feira, a Polícia Federal levou Pelado até o local, segundo o delegado, “de dificílimo acesso”. “Houve uma demora porque realizamos a reconstituição do crime e depois fomos ao local onde ele havia enterrados os corpos e o local onde afundou a embarcação. Era um local de dificílimo acesso”, afirmou.

Confissão

De acordo com Eduardo Fontes, Amarildo afirmou ter havido um embate e que Bruno Pereira e Dom Phillips foram mortos a tiros. No entanto, o delegado disse que é preciso esperar a perícia para confirmar a causa das mortes.

A motivação do crime também ainda está sendo investigada, de acordo com o superintendente da PF. Ele não quis responder aos questionamentos sobre a possibilidade de haver um mandante do crime, e que a investigação neste sentido é sigilosa.

Segundo o superintendente da PF no Amazonas, o local onde os corpos foram enterrados fica a 3,1 quilômetros mata adentro, longe da margem do rio. No local foram feitas escavações, que ainda não foram concluídas.

“Levamos 1 hora e 40 minutos de voadeira de Atalaia do Norte até o local [do crime]. Depois, mais 3,1 quilômetros, ou seja, 25 minutos mata adentro com embarcação entrando no local de difícil acesso”, disse o delegado.

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Remanescentes humanos estavam a 3,1 quilômetros do local do crime (Foto: Polícia Federal/Divulgação)

“No local não havia como se comunicar, e um agente da Policia Federal teve que sair do local para comunicar que foram encontrados remanescentes humanos”, disse Eduardo Fontes.

A embarcação usada pelo indigenista e o jornalista foi afundada em uma área alagada. Para manter o barco submerso, os criminosos colocaram pedras. “Tiveram que tirar o motor e o afundaram e, depois, também afundaram a embarcação”, afirmou o delegado.

De acordo com o delegado Eduardo Fontes, sem a confissão de Amarildo, dificilmente as forças de segurança desvendariam o crime, porque o local onde foram encontrados os remanescentes humanos é de difícil acesso.

Perícia

Segundo o delegado, ainda estão sendo coletados os remanescentes humanos e serão encaminhados ao Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, em Brasília, nesta quinta-feira (16), para que seja feito o reconhecimento dos corpos

“Em sendo comprovado que os remanescentes humanos são relacionados ao Dom Phillips e Bruno Pereira, serão devolvidos o mais breve possível para as famílias”, afirmou Fontes. “A perícia vai descobrir a causa da morte e as circunstâncias do crime”, completou.

Segundo o superintendente da PF, os investigadores estão realizando diligências e novas prisões podem ser efetuadas nas próximas horas. Segundo ele, há indícios de que mais uma pessoa participou do ato criminoso.

Bruno Pereira e Dom Phillips desapareceram no dia 5 deste mês, quando voltavam de uma missão em uma comunidade rural do município de Atalaia do Norte, na Terra Indígena Vale do Javari.

Fonte: Amazonas Atual

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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