Mais de 90% da economia global cresce sem aumentar emissões de carbono

Países que concentram 92% do PIB mundial avançam em crescimento sustentável e conseguem reduzir emissões de carbono, contrariando antigas previsões econômicas.

Uma nova análise global revela que a economia mundial está passando por uma mudança significativa: a separação entre crescimento econômico e aumento das emissões de carbono. O fenômeno, conhecido como “desacoplamento”, está cada vez mais presente em países que representam a maior parte do Produto Interno Bruto (PIB) e das emissões globais.

Segundo dados compilados pela Energy and Climate Intelligence Unit (ECIU) e divulgados pela Euro News, 92% do PIB global e 89% das emissões estão hoje em nações que registram algum grau de desacoplamento, cenário bem diferente da década anterior ao Acordo de Paris, quando essa taxa era de 77%.

No desacoplamento absoluto, considerado o ideal, as emissões de carbono diminuem enquanto a economia cresce. Já no relativo, as emissões continuam a subir, mas em ritmo mais lento que o PIB. O oposto é o reacoplamento, em que as emissões crescem apesar da contração econômica, situação associada a crises severas, como a da Covid-19.

A Europa lidera a transição. Países como Alemanha, Reino Unido, Suécia e França estão entre os que mais conseguiram manter crescimento econômico com queda nas emissões de carbono. Para evitar distorções, o estudo adotou uma métrica baseada no consumo,  contabilizando também as emissões dos produtos importados.

A usina Copenhill em Copenhague, que transforma resíduos em energia com baixas emissões de carbono, vista com sua pista de esqui no telhado.
Copenhague aposta na inovação para zerar emissões de carbono. A usina Copenhill converte lixo em energia e abriga uma pista de esqui no telhado, unindo tecnologia e sustentabilidade. Foto: Architizer.com

O relatório mostra ainda que o impulso gerado pelo Acordo de Paris está se refletindo em mudanças concretas. “Hoje, mais pessoas trabalham globalmente em setores de energia limpa do que na indústria de combustíveis fósseis, e as atividades ligadas ao net zero crescem três vezes mais rápido do que a economia como um todo”, destacou Gareth Redmond-King, diretor da ECIU.

Com dados de 113 países que representam mais de 97% do PIB e 93% das emissões de carbono globais, o estudo reforça que políticas climáticas bem estruturadas não são obstáculos ao desenvolvimento, pelo contrário, podem ser motores de inovação e transição justa.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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