Acordo pioneiro entre Tuvalu e Austrália oferece visto humanitário a refugiados climaticos do país insular, que sofre com o avanço do mar e pode desaparecer em alguns anos.
Os primeiros cidadãos de Tuvalu contemplados por um programa inédito de migração climática chegaram à Austrália. O país insular, formado por nove ilhas e atóis de coral, enfrenta risco iminente de desaparecimento devido à elevação do nível do mar. Cientistas alertam que até 95% de seu território poderá ficar submerso durante marés altas até o fim do século, caso o aquecimento global continue acelerado.
Diante dessa realidade, Austrália e Tuvalu firmaram em 2023 o Falepili Mobility Pathway, um tratado bilateral que permite que até 280 tuvaluanos por ano obtenham vistos para viver, trabalhar e estudar no país vizinho. O objetivo é oferecer uma alternativa segura e digna à população ameaçada, sem provocar uma fuga em massa de profissionais essenciais.

Segundo o governo australiano, as primeiras famílias chegaram ao país em novembro e dezembro de 2025. A ministra das Relações Exteriores, Penny Wong, classificou o acordo como símbolo de confiança mútua e destacou o potencial dos migrantes para contribuir com a sociedade australiana.
Entre os recém-chegados estão a dentista Masina Matolu, que pretende atuar junto a comunidades indígenas em Darwin, e Kitai Haulapi, primeira mulher de Tuvalu a operar empilhadeiras. Haulapi afirmou ao Euronews Green: “Os salários são muito bons e isso me permitirá sustentar minha família e contribuir positivamente com a nossa nação lá em casa.”

Outro caso é o de Manipua Puafolau, pastor em formação que chegou à cidade de Naracoorte com apoio do programa PALM, voltado a migrantes em setores como agricultura e processamento de alimentos. Para ele, a mudança vai além da busca por estabilidade. “Para as pessoas que migram para a Austrália, não se trata apenas do bem-estar físico e econômico, mas também de uma necessidade de orientação espiritual”, afirmou.
A iniciativa ressalta o papel de políticas de mobilidade planejada frente à intensificação da crise climática e destaca a responsabilidade internacional diante de populações ameaçadas pela perda de território decorrente de mudanças climáticas.
