Busca por minerais críticos aproxima Petrobras da agenda de energia limpa, mas contrasta com a estratégia de ampliar a produção e venda de petróleo.
A Petrobras e o BNDES firmaram um acordo de cooperação para desenvolver estudos e iniciativas de pesquisa e inovação voltados a minerais críticos e estratégicos. A parceria foi assinada na segunda-feira (22/6), durante a cerimônia de aniversário de 74 anos do banco, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e da presidente da Petrobras, Magda Chambriard.
O acordo prevê a troca de informações entre as instituições e a realização de análises sobre lacunas produtivas, tecnológicas e de infraestrutura relacionadas a cadeias consideradas estratégicas para a transição energética. As ações devem envolver o Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), além de projetos já em andamento ou em fase de desenvolvimento.
Entre os temas em avaliação estão insumos usados em baterias, fertilizantes e outras tecnologias de baixo carbono. Segundo a Agência iNFRA, a Petrobras estuda abrir uma nova frente de atuação na área de minerais críticos, com atenção especial a materiais ligados ao armazenamento de energia e à produção de fertilizantes.
A movimentação ocorre em meio a sinalizações recentes da estatal sobre uma possível reaproximação com o setor mineral. No mês passado, Magda Chambriard afirmou ver com interesse a exploração de minerais críticos, potássio e urânio. “Podemos retomar isso. Vai fazer parte de um ‘esforço Petrobras’, e depende de toda a sociedade brasileira realmente querer isso”, disse.
A presidente da companhia reconheceu, no entanto, que a Petrobras deixou de ter a mineração em seu objeto social desde a extinção da Petromisa, em 1990. Uma eventual retomada, portanto, dependeria de mudanças institucionais e políticas, além de debate sobre o papel da estatal fora do setor de petróleo e gás.
O interesse também se conecta a discussões sobre mineração submarina. Dias antes do acordo, Mercadante havia defendido estudos em parceria com a Petrobras e a Vale para avaliar a exploração de recursos minerais na plataforma continental brasileira.
A atividade, porém, ainda não é regulamentada no país e é alvo de críticas de pesquisadores e organizações ambientais pelo risco de impactos severos sobre ecossistemas marinhos pouco conhecidos.
Apesar do discurso voltado à transição energética, a Petrobras mantém o petróleo no centro de sua estratégia. Magda Chambriard reforçou recentemente que a estatal deve ampliar as exportações do produto, que já ocupa posição de destaque na pauta comercial brasileira. Segundo o Valor, a executiva afirmou que o país deve repetir neste ano o recorde de vendas externas.