Projeto do Idesam completa 15 anos com 77 mil mudas plantadas na Amazônia

Iniciativa do Idesam alia compensação de emissões, Sistemas Agroflorestais e geração de renda na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, no Amazonas. 

Um programa de restauração conduzido na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, no Amazonas, tem mostrado como a compensação de carbono pode ser associada à recuperação de áreas degradadas e ao fortalecimento da economia local. Em 15 anos, o Programa Carbono Neutro, do Idesam, plantou 77.262 mudas, restaurou 101 hectares e envolveu 111 famílias ribeirinhas.

Criada em 2010 pelo Idesam, a iniciativa começou como uma ação de compensação de emissões de gases de efeito estufa e passou a incorporar Sistemas Agroflorestais (SAFs) como estratégia de restauração produtiva. O modelo combina espécies nativas e frutíferas, permitindo que as áreas recuperadas também contribuam para a segurança alimentar e a geração de renda das comunidades participantes.

De acordo com o relatório de 15 anos do programa, as ações já compensaram 23.179 toneladas de CO₂ equivalente. O documento aponta ainda que cada hectare implantado tem potencial de sequestrar cerca de 229,49 toneladas de CO₂ ao longo de 20 anos.

O desempenho das áreas é acompanhado por inventários florestais realizados periodicamente. O monitoramento permite avaliar o crescimento das árvores, a diversidade de espécies e a evolução ecológica dos sistemas implantados. As informações também ajudam a orientar novas intervenções e a adaptar os plantios às características de cada propriedade e aos interesses das famílias envolvidas.

“Esses resultados mostram que enfrentar as mudanças climáticas também significa investir nas pessoas, fortalecer economias locais e construir soluções a partir da Amazônia”, relembrou Kate Anne, gestora do Programa Carbono Neutro.  Segundo ela, além da compensação de carbono, o programa contribui para diversificar os sistemas produtivos, gerar renda e fortalecer soluções construídas a partir da realidade amazônica.

A produção de mudas por viveiristas da própria região é uma das etapas centrais da iniciativa. A estratégia busca garantir o uso de espécies adequadas ao território e, ao mesmo tempo, ampliar a circulação de recursos dentro das comunidades. Em 2025, cerca de 59% dos recursos do programa foram destinados diretamente à economia local, incluindo compra de mudas, insumos, serviços comunitários e logística dentro da reserva.

Além do plantio e da manutenção das áreas restauradas, o Idesam reúne dados do programa em uma plataforma interativa chamada Mapa de Plantio. A ferramenta permite visualizar as áreas em restauração, acessar registros fotográficos, dados georreferenciados, estatísticas do programa e informações sobre as famílias parceiras.

O apoio ao Programa Carbono Neutro pode ocorrer por meio de inventários de emissões para empresas e eventos, uso de calculadora de CO₂ para pessoas físicas e ações de plantio voluntário. De acordo com o programa, os recursos arrecadados ajudam a ampliar as atividades de restauração, manutenção e monitoramento, além de apoiar as famílias envolvidas. Também são emitidos selo e certificado para formalizar a participação dos parceiros.

A agenda de restauração e carbono se conecta ainda a outras frentes de atuação ligadas à bioeconomia amazônica. O Idesam está com inscrições abertas, até dia 30 de junho, para o Desafio Bioinovação Amazônia, chamada internacional voltada ao desenvolvimento de produtos e processos baseados em ativos da biodiversidade da floresta.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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