Os negócios por detrás da boiada antiambiental no Brasil

A “boiada” antiambiental promovida pelo atual governo e seus aliados no Congresso não corre por nada. Por trás dela, estão boiadeiros ocultos, com muito dinheiro, abrindo generosamente suas carteiras para permitir o atropelo das leis e da política ambiental no Brasil.

As carteiras em questão não são de peixe pequeno: gigantes do agronegócio e da indústria alimentícia, de dentro e de fora do Brasil, estão entre os financiadores da “boiada”.

De Olho nos Ruralistas publicou um raio-X do lobby que vem sendo feito por empresas como Bayer, Bunge, JBS e Nestlé nos corredores do poder de Brasília nos últimos anos. O levantamento mostrou que, somente no atual governo, essas empresas se reuniram pelo menos 278 vezes com membros do alto escalão do ministério da agricultura. Na pauta desses encontros, estavam temas que hoje fazem parte do chamado “Pacote da Destruição” em análise no Congresso Nacional – flexibilização de regras para agrotóxicos, autofiscalização sanitária e autorização para testes de novas substâncias químicas em campo.

Entre as principais empresas recebidas pelo governo, destacam-se a Syngenta (81 reuniões), JBS (75), Bayer (60), Basf (26), Nestlé (23) e Cargill (13). Em alguns casos, os encontros aconteceram fora da agenda oficial das autoridades públicas, o que mostra a facilidade que essas empresas possuem para acessar os círculos do poder em Brasília.

A análise também aponta para o relacionamento umbilical entre esses setores econômicos e representantes do governo federal. O exemplo mais claro disso está na aproximação entre as autoridades de Brasília e o Instituto Pensar Agro, um think tank que recebe recursos dessas empresas e que vem intensificando seu lobby no governo e no Congresso.

Texto publicado originalmente CLIMA INFO

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Anotações para o novo lustro da economia brasileira – 2026 a 2030

Comentários de Alfredo Lopes - BrasilAmazoniaAgora O Brasil entre...

SOS Amazônia: o Super El Niño já começou

Super El Niño pode agravar secas, calor extremo e pressão sobre rios e comunidades na Amazônia, reforçando a urgência da adaptação climática.

Dia da Indústria: a força produtiva da Amazônia e o protagonismo feminino na construção do futuro

Entre desafios logísticos, pressão internacional e transição climática, a indústria do Amazonas consolidou uma experiência singular de desenvolvimento associado à floresta em pé, com mulheres assumindo papel cada vez mais estratégico nos espaços de liderança, inovação e transformação regional.

Quem vai pagar a despesa na confraternização da escala 6×1?

A própria indústria compreende que trabalhadores mais descansados, valorizados...