Orca: Islândia inaugura maior usina de captura de carbono do ar do mundo

Desenvolvida pela startup suíça Climeworks, instalação deve retirar do ar até quatro mil toneladas de dióxido de carbono por ano

Na última quarta-feira, 8, a Islândia anunciou a inauguração da maior usina do mundo projetada para capturar dióxido de carbono do ar e depositá-lo no subsolo, auxiliando no combate às mudanças climáticas.

A instalação, batizada de Orca em homenagem à palavra islandesa “orka”, que significa “energia”, é resultado de uma parceria entre a startup suíça Climeworks AG e a empresa islandesa Carbfix, especializada em armazenamento de carbono. Já em operação, a planta promete absorver até 4 mil toneladas de CO2 por ano, o equivalente às emissões de cerca de 870 carros, segundo a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos.

Conheça a Orca

Constituída por oito enormes contêineres, a planta conta com ventiladores que “puxam” o ar para um coletor. Em seguida, um sistema de filtragem extrai o dióxido de carbono e o aquece a cerca de 100 °C para liberar o CO2 como um gás puro, enquanto libera nitrogênio, oxigênio e outros gases de volta para a atmosfera.

A partir daí, o CO2 isolado e altamente concentrado é misturado com água e bombeado para poços subterrâneos profundos, a uma profundidade de mil metros, para que, ao longo do tempo, se transforme em rocha, sendo armazenado permanentemente no solo. De acordo com as empresas responsáveis, todo o processo é alimentado por energia renovável.

Esperança para o clima

De acordo com o portal Fast Company, a tecnologia de captura de carbono do ar é custosa, mas continua a avançar a passos largos. A Climeworks ajustou o design do projeto para que a absorção aconteça em ciclos mais rápidos, capturando mais CO2 na mesma quantidade de tempo.

E, à medida que a empresa cresce, ela espera que os custos continuem caindo. Acredita-se que o setor siga o caminho dos painéis solares, cujos preços caíram 99% nas últimas quatro décadas. Alguns especialistas preveem que, com a combinação certa de suporte e implantação de políticas, os custos de captura direta de ar sejam reduzidos significativamente nos próximos cinco a dez anos.

Para fazer a diferença, no entanto, a Orca deve seguir um ritmo acelerado de crescimento: a atual planta pode capturar 4 mil toneladas de CO2 por ano, mas o mundo pode precisar capturar 10 bilhões de toneladas de CO2 por ano até a metade do século, segundo uma estimativa, para ter uma chance de limitar o aquecimento global a 1,5 °C e evitar alguns dos piores impactos das mudanças climáticas. A Orca, no entanto, representa uma esperança.

Saiba mais sobre a Orca no vídeo abaixo (em inglês):

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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