Oceanos devem receber entre 23 e 27 milhões de toneladas de plástico por ano

Até 2040, mares devem receber entre 23 e 37 milhões de toneladas por ano de plástico. O alerta surge de um projeto “Voice of the Oceans” (Voz dos Oceanos), impulsionado pela Família Schurmann que, está no mar há 38 anos, já deu três voltas ao mundo, e participa agora na Conferência dos Oceanos da ONU, a realizar-se em Lisboa a partir do dia 27 de junho

É a partir de Portugal que o projeto Voice of the Oceans (Voz dos Oceanos) quer consciencializar os europeus para um grave problema com impacto em todo o planeta: o plástico nos oceanos. Segundo o relatório da ONU “Da Poluição à Solução: Uma Análise Global sobre Lixo Marinho e Poluição Plástica”, estima-se que, “até 2040, os mares devem receber entre 23 e 37 milhões de toneladas destes resíduos por ano”.

Com o apoio do Programa da ONU para o Meio Ambiente, durante mais de dois anos – “29 de agosto de 2021 a dezembro de 2023” -, a família Schurmann e a restante equipa da Voz dos Oceanos, a bordo do veleiro Kat, vão navegar por cerca de 65 destinos internacionais, com o objetivo de “mobilizar a população mundial” para o combate à poluição nos oceanos. “Os mares português e europeu estão também na mira do projeto que procura apoio no continente para continuar a expedição”, lê-se no mesmo comunicado.

A iniciativa – que conta também com o apoio internacional da Plastic Soup Foundation – tem o intuito de testemunhar e registar a poluição nos mares e navegar em busca de soluções inovadoras para combater esse problema. Para isso, conta com uma equipa de 15 pessoas em terra (entre os quais cientistas, profissionais de comunicação e jurídicos) e sete tripulantes a bordo de um veleiro sustentável, com recurso a energia limpa (eólica, hídrica e solar) e que conta ainda com geradores de baixo consumo e sistema de tratamento de águas residuais.

“O objetivo final desta iniciativa do Brasil para o mundo – e agora a partir também de Portugal -, é conscientizar as pessoas de todo o planeta para a necessidade de ações urgentes para a preservação das águas. Tudo isto impacta, não apenas a vida marinha, mas também as populações de um modo geral. O tema é tão urgente que a ONU definiu o período de 2021 a 2030 como a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável. Acreditamos que, através de uma grande corrente mundial, conseguiremos mudar o cenário a nível global”, explica David Schurmann, CEO da Voz dos Oceanos.

Na prática, a tripulação da Voz dos Oceanos aposta em três pilares de atuação: “o primeiro, com uma vertente empreendedora, atua para fomentar empreendedores e startups que tenham como proposta encontrar soluções para diminuir ou eliminar o uso do plástico no âmbito industrial; o segundo, científico, é liderado pela Universidade de São Paulo (USP) e investiga os diferentes níveis de impacto nos oceanos; o terceiro pilar aposta na educação, atuando junto de professores e estudantes”.

Para David Schurmann, a Voz dos Oceanos “herdou dos portugueses o espírito desbravador das grandes navegações. Somos uma iniciativa em defesa dos nossos oceanos, que mobiliza diferentes setores da sociedade mundial, incluindo gestores públicos. Um país como Portugal, comprometido com a causa ambiental e ciente da importância da vida marinha, é fundamental para fortalecer e impulsionar o nosso movimento coletivo”.

O projeto, que irá marcar presença na Conferência dos Oceanos da ONU – a decorrer de 27 de junho a 1 de julho, em Lisboa -, será também apresentado na Atlantic Station, na capital portuguesa, no próximo domingo, dia 26 de junho, às 15h00, por David Schurmann e João Amaral, respetivamente CEO e COO da Voz dos Oceanos, acompanhados por Alexander Turra, professor do Instituto Oceanográfico (IO) da USP – Universidade de São Paulo, coordenador da Cátedra Unesco para Sustentabilidade do Oceano e líder do pilar Científico da Voz dos Oceanos.

Texto publicado originalmente em Ambiente Magazine

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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