O que se passou em 2021

Apesar de todos os problemas resultantes da pandemia, ainda somos uma excelente opção para os investimentos privados, oferecendo vantagens comparativas capazes de competir com a produção externa. Termina o ano de 2021 e renovam-se as esperanças para que em 2022, apesar de ano eleitoral, possamos realizar muitos projetos e investimentos que atendam nossas necessidades. Feliz 2022.

Gilmar Freitas
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Os efeitos da pandemia neste ano que finda, agravaram os problemas socioeconômicos do Brasil. Em 2021 tivemos avanço no preço dos produtos, pressionado pela alta do dólar, dos combustíveis, da conta de luz e dos alimentos. O Banco Central (BC) na tentativa de conter o avanço inflacionário subiu a taxa básica de juros, elevando a Selic para 9,25%. A escassez de chuva fez com que as hidrelétricas entrassem em situação de alerta, elevando os custos operacionais responsáveis pelo aumento da energia.

Neste ano aproximadamente 44 milhões de brasileiros, que corresponde a cerca de 11 milhões de famílias, passaram do trabalho regular para o desemprego, ficando na dependência do programa Bolsa Família, seguro-desemprego, auxílio emergencial ou atividade sem remuneração regular, comumente chamado de biscate. Os investimentos e empregos recuaram provocando queda generalizada no poder aquisitivo da população. As reformas administrativa e tributária, mais uma vez foram proteladas, não encontrando ambiente propício no Legislativo.

A falta de emprego formal ocasionou forte crescimento de pessoas trabalhando por conta própria, estimado pelo IBGE em 7 milhões, ocupações que vão desde vendedores de balas e demais objetos simples, até contratações sem vínculo empregatício. Segundo o IPEA, a renda média do brasileiro caiu em torno de 10% em um ano e em 15% na comparação com o período pré-pandemia. A inflação teve um avanço muito acima da meta objetivada pelo BC. A turbulência no cenário político no ano de 2021 foi forte, gerando tensões entre os poderes da república.

Todos esses fatores prejudicaram uma retomada econômica que se prenunciava factível, mas que se agravou motivada pelo início da vacinação lenta contra a Covid-19, o que provocou uma nova onda fortíssima e mais letal que a ocorrida no ano anterior, onde Manaus e todo o Amazonas tiveram forte perda de vidas. Felizmente a partir de maio houve aceleração e forte adesão à vacinação em nosso Estado. Diferentemente do resto do país, tivemos êxito e resiliência para, a partir daí, iniciarmos uma recuperação da indústria que possibilitou que fechássemos o ano com excelentes perspectivas de crescimento econômico do setor secundário.

Razão pela qual a Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM) estima um crescimento no faturamento do setor, na faixa de 34% em relação ao ano anterior, resultado julgado excelente, mesmo levando-se em conta a queda ocorrida no setor no ano 2020. Conseguimos também recuperar parte do número da mão de obra perdidos durante a pandemia, atingindo uma média no corrente ano, superior a 102.200 empregos. Apesar de todos os problemas resultantes da pandemia, ainda somos uma excelente opção para os investimentos privados, oferecendo vantagens comparativas capazes de competir com a produção externa. Termina o ano de 2021 e renovam-se as esperanças para que em 2022, apesar de ano eleitoral, possamos realizar muitos projetos e investimentos que atendam nossas necessidades. Feliz 2022.

Discernimento político
Gilmar Freitas é economista e assessor da Presidência da FIEAM
Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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